terça-feira, 8 de novembro de 2016

15 ANOS DE UM PLANO LENTO, MAS SEGURO, PARA O MUNDO

Oitavo mês,
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer

Há quinze anos, um plano de recondução do mundo ocidental para as mãos da direita (na maior parte dos casos, não uma direita esclarecida, mas a extrema direita, ou simplesmente os debilóides já conhecidos, por exemplo, no Brasil) foi posto em prática, porque notou-se que a via eleitoral, naquelas condições, seria impossível & continuaria dando vitória ao que se chama centro-esquerda.

Direita, vamos esclarecer: o favorecimento dos privilégios & dos ricos; o preconceito contra cor de pele, sexualidade, religiosidade, preconceito de classe, a xenofobia, etc, porque permite juntar os iguais; a farsa do "mercado livre" que se "autorregula", mas que na primeira encrenca pede para o Estado vir em socorro (os riquíssimos bancos de investimento na crise de 2008, empresas como a Oi no Brasil, hoje); a receita da violência, ao invés da diplomacia; o uso da classe média & dos pobres como massa escrava, que vive da ilusão hipnótica de um dia ascender socialmente ao topo da sociedade de consumo; a restrição das liberdades & direitos civis; espionagem, agora facilitada pelas telecomunicações velozes, cujo conteúdo está nas mãos de grandes empresas; o conservadorismo dos costumes em público, mas total imoralidade quando longe das câmeras; concentração de poder & renda; lavagem mental das massas por meio da mídia, para resultar no que Étienne de la Boétie já havia definido no século XVI como "servidão voluntária".

Suas armas: fraude; a nova palavrinha mágica da hipnose pública, "terrorista"; guerra; propaganda midiática do medo, seja o medo do estrangeiro, seja o medo de perder o emprego, seja o medo da oscilação das bolsas, seja o medo da violência urbana, do terror, de uma pandemia, etc; & por fim, manipulação do caldo de medo em ódio fascista.

Foi um plano bem executado, mesmo que partes dele fossem escancaradas como mentira diante dos olhos do público mundial. A mentira das armas de destruição em massa no Iraque, a mentira do Estado Islâmico, a mentira, já aqui na nossa casa, do "crime de responsabilidade".

Tudo rapidamente esquecido, porque há muita TV depois, avalanches de notícias idiotas, o tocar a vida.

Fomos levados, nesses 15 anos, a uma condição semelhante à que deixou o mundo à beira da Segunda Guerra Mundial, no fim dos anos 1930, com o mundo tomado por ódio chancelando o totalitarismo. O objetivo? Lucro & domínio político.

Se houve a crise de 1929, agora tivemos a crise de 2008; se havia a perseguição aos judeus, agora há aos muçulmanos; se havia o ódio econômico aos estrangeiros, há o ódio econômico aos estrangeiros; se havia tipos de extrema direita chegando ao poder no mundo todo, há tipos de extrema direita chegando ao poder no mundo todo.

A tensão era palpável, & hoje também é.

Nos EUA, hoje, realiza-se hoje uma eleição presidencial marcada sobretudo pela disputa grosseira & por um candidato tão extremo que a candidata de que todos desconfiam se tornou o único meio de não pôr no poder alguém que odeia explicitamente a diferença.

O que sairá disso? 

Penso que pouco, porque é um espetáculo para os olhos públicos. O que na política tem se tornado cada vez mais importante é o que se passa por trás desse circo, quando ninguém está olhando: o que não está nem em declarações abusivas para a multidão, nem no fuçar de e-mails. 

E o que está nesse escuro é o plano de 15 anos, que veremos se desdobrar nos próximos anos a despeito do que aconteça hoje nos EUA. No Brasil nota-se como é simples pôr algo assim em ação: quem tem poder puxa as cordas para obrigar, a quem queira sobreviver, que não pise fora da linha, & a intimidação vai do emprego à segurança pessoal.

Talvez seja oportuno, então, assistir novamente a Fahrenheit 9/11 (2004), documentário de Michael Moore, sobretudo porque sinto que a maior parte das pessoas, mesmo as de bom-senso, perdeu de vista muito do que o filme demonstrou sobre como o poder - lá como aqui & em toda parte - se faz. 

2 comentários:

Samuel Pinheiro disse...

Tenho assistido os documentários do Michael Moore novamente e noto quão ele estava exato em inúmeros tópicos.
Estou esperando o "Trumpland" sair. Inclusive, ele fez uma lista do "dia seguinte" após Trump ganhar as eleições.
Estamos em meio de um lamaçal enorme, cuja resolução não existe ainda.
Neste sentido, fico com Bauman quando ele diz que estamos em uma situação parecida ao interregno romano.

Dirceu Villa disse...

samuel, carissimo,

sempre tenho a impressão de plus ça change, plus c'est le même chose. robert
kurz, há uns tantos anos, se perguntava como o status quo se manteria como tal
se o mecanismo de guerras já não conseguia gerar débito suficiente para continuar
preservando o privilégio dos pouquíssimos. a resposta, me parece, se propôs em
2001, com a invenção de um terrorismo útil para a propaganda do medo & de um tipo
de bliztkrieg com o objetivo de ampliar a xenofobia &, assim, permitir que essa
regressão ao fascismo dos anos 1930 traga de volta tipos totalitários como trump
ou marine le pen, entre muitos outros. o brasil é só um entreposto, uma espécie
de mos eisley, então basta um covarde manipulável com uma gangue de criminosos
dispostos a tomar o país & fazer o saque do que quiser, entregando o grosso para
esses que detêm o poder de facto. veremos extremas regressão & violência nos
próximos 10, 20 anos. pelo menos 20 anos, o número emblemático da pec 55.

abrazo,

d.