segunda-feira, 28 de maio de 2018

"FICOU MUITO CLARO PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA QUAL É A ALIANÇA PELO IMPEACHMENT: REÚNE CORRUPTOS, TORTURADORES E TRAIDORES DA PÁTRIA"

Vigésimo-quinto mês,
Ano III do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer


LULA LIVRE



Título: Jandira Feghali dixit, 2016, no Dia da Vergonha Nacional na Câmara dos Deputados.
***

Em uma coisa os debilóides dos golpistas estavam certos, & infelizmente tenho de admitir: o Brasil não é a Venezuela.

A Venezuela tem a gasolina mais barata do mundo, tem presidente eleito & não é capacho de outro país. 

Eles estavam certos, os golpistas.

***


Gente de bom-senso está feliz com essa greve dos caminhoneiros; gente sem bom-senso está feliz com essa greve dos caminhoneiros.

Um desses dois grupos está sendo ingênuo.

O grupo que está sendo ingênuo é o das pessoas de bom-senso.

Os caminhoneiros têm direitos, como todo mundo (ou deveriam ter; com Parente ninguém terá, anyway, com a exceção de riquíssimos investidores internacionais), & têm razão de reclamar esses mesmos direitos.

Mas há que se observar: 

1) A imprensa golpista está do lado deles;

2) A polícia & o exército estão do lado deles;

3) Figuras midiáticas acéfalas estão do lado deles;

Como diria Master William, "há algo de podre no reino da Dinamarca".

Não foram chamados de "vagabundos" nem de "vândalos" por impedir que o dia-a-dia do trabalho corresse normalmente (isso SEMPRE acontece quando estudantes, militantes de esquerda, ou movimentos de sem-terra páram alguma rua, avenida ou estradinha).

Pior, eles apenas cortaram o abastecimento de rigorosamente TUDO no país, que parou & virou os filmes de MAD MAX (que todo mundo sabia que era o destino do Brasil golpista em algum ponto).

A polícia não encheu essas pessoas de porrada.

A imprensa não sujou a imagem delas com ofensas. 

Au contraire, eles são "heróis".

Um dos pontos que podem ilustrar o perigo & a aberração da resposta do aparato midiático & militar é o seguinte: essa é uma categoria de direita. Não estou dizendo direita tipo FHC, estou dizendo direita que desce do Bolsonóia para ditadura militar.

Pedem "intervenção militar", uns tantos deles. 

As pessoas sensatas, sentindo que o liliputiano usurpador, aprendiz de ditador, talvez receba o que merece, um chute no traseiro para longe da cadeira usurpada (& de preferência para a cadeia), aderiram ao oba-oba da supergreve.

Erro.

O objetivo dessa supergreve, que tem a bênção dos militares & da mídia, é a "eleição" de outubro. 

E o resultado pode ser:

a) "Cancelada a eleição por extrema instabilidade institucional no país";

b) "Cancelada a eleição direta no país, por extrema instabilidade institucional; haverá eleição indireta para indicação de nome substitutivo & provisório, de dentro do colegiado";

c) "Cancelada a eleição de outubro a perder de vista, que agora quem ocupa o poder somos nós, os fardados, para pôr ordem nessa baderna";

d) "Vai ter eleição, porque a greve foi tão extrema que o brasileiro imbecil agora está determinado a eleger o maior escroto do planeta, um fascista descerebrado, defensor de torturador, um ratão que nunca fez absolutamente NADA pelo país que não fosse defender o ódio, a violência (incluindo violência sexual) & todo tipo de preconceito".

Esse é o desfecho desejado & planejado para a "greve" dos caminhoneiros. 

Mesmo a maior parte da categoria deles não sabe que esse é o objetivo. 

Estão sendo usados pelo complexo midiático-militar (& civil, de um bando de riquíssimos empresários, & de intervenção da inteligência estrangeira, que está dirigindo o espetáculo desde as preparações do Golpe de 2016).

O perigo nunca foi tão grande. Mas há mais que se comentar.


***




Há quem realmente ache que Lula sairá da prisão antes das eleições.

Não, ele não sairá.

Como disse acima, é até duvidoso que aconteçam eleições como as conhecíamos, porque parece que as pessoas ainda não têm a clareza de perceber o que digo há 3 anos: isto é uma ditadura.

E, supondo que haja eleições, depois delas só existe uma chance de Lula sair da prisão antes de estar morto: se ganhar um candidato, ou candidata, de esquerda, que lhe dê um indulto presidencial ou remonte revolucionariamente a "justiça", que ponho entre aspas porque também deveria ser óbvio que hoje não existe mais no país; se houvesse, todo o gabinete golpista, incluindo aquele ridículo nanico liliputiano, estaria preso por numerosos crimes, incluindo o de lesa-pátria.

E Lula estaria livre. 

SE houvesse justiça.

E não vai ganhar a eleição nenhum candidato de esquerda, & não vai ganhar porque o Golpe, ao tomar o poder, foi direto cortar os gastos com políticas sociais por 20 anos.

Repito meu corolário de 3 anos atrás: ninguém que vá ficar 2 anos no poder implementa uma política, aliás contrária à vontade pública, que se projeta 20 anos no futuro. Isso se faz quando se supõe ficar no mínimo esse tanto no poder.

A tendência é a de que Lula apodreça na prisão por um crime que não cometeu. 

Milhões vão morrer com ele, assassinados pela nova ditadura, seja pelo descaso proposital das novas políticas, seja por ação direta de um golpismo criminoso, com desdobramentos bem pavorosos ainda por nos surpreender.

Ministro do STF Teori Zavascki morto na queda do avião em Paraty; incêndio destruindo prédio ocupado por gente sem-teto no centro de São Paulo & matando meia centena de pessoas; execução de Marielle & de ainda outro vereador no Rio ocupado militarmente; tiros contra a caravana de Lula & contra o acampamento cívico contra sua prisão; a própria prisão de Lula, a maior aberração pseudojurídica posterior à ditadura civil-militar de 1964-1985.  

Esses são só uns poucos dos casos mais aberrantes, desde o Golpe de Estado, levados sem seriedade alguma, por quem quer que seja, dentro ou fora do aparato dito "jurídico" desta República dos Bananas.

Algum desses casos foi esclarecido? Culpados foram levados à, ah-ham, "justiça"? Versões oficiais foram decentemente questionadas? 

Nope. Perdão, há algumas exceções, natürlich. Uma delas, muito consistente, é a Mídia Ninja:




Estamos vivendo aquele terror ditatorial, já. E vai piorar. É matemática simples, & Lógica 101. É FUNDAMENTAL resistir.

É difícil, complica a vida? sim. Mas não pode ser de outra forma. 

***


Reassisti ao filme Inside Job (Trabalho interno, 2010), documentário sobre a crise de 2008 das hipotecas, transformada em crise financeira mundial.

Quando assistia ao filme no ano da estréia, eu, assim como todos os que o resenharam (& mesmo quem o roteirizou & dirigiu), não percebemos uma coisa fundamental que ao reassistir ficou clara.

Nota-se a perplexidade de alguns congressistas durante os interrogatórios dos executivos de grandes bancos & agências de investimento, quando esses homens riquíssimos (& evidente & abertamente criminosos) dão desculpas esfarrapadas para os atos de crime financeiro cometidos.

Há perplexidade quanto ao fato de que muitos deles foram recompensados ao invés de punidos, & estranhamento de que o governo os salvasse quando insolventes (como o governo golpista daqui fez, por exemplo, com a dívida bilionária de um banco conhecido pelas propagandas televisivas de sua preocupação quentinha & familiar com você, povo brasileiro).

Na época parecia apenas que se tratava do velho esquema de que, se você é grande demais, ninguém vai deixar você cair, ou que os ricos se protegem, etc. 

Essas coisas são verdades, mas não ver além delas é uma cegueira de que todos fomos culpados.

Fomos culpados pela nossa ingenuidade, a ingenuidade de não ver nisso um plano

É como a então ministra francesa, Christine Lagarde, que lembra de uma conversa com Henry Paulson, então Secretário do Tesouro estadunidense, quando tentou avisá-lo de que todos percebiam o tsunami de crise econômica se montando, & a resposta desse também ex-banqueiro do Goldman Sachs foi que "tudo está sob controle", & deixou acontecer (& considere que Lagarde é de direita, & hoje encabeça nada mais, nada menos, que o FMI).

Pensou-se aqui & ali que ele dizia uma besteira, que estava sendo relaxado com uma ganância endêmica da qual fazia parte, ou que estaria lá só para permitir que seus semelhantes saqueassem uma riqueza pública.

Errado.

Todos estavam tranquilos porque de fato tudo estava sob controle: desejavam a crise.

Nenhum deles ficou sequer menos rico ou está preso. Alguns voltaram a trabalhar com o governo, indicados pelo executivo. Nenhum governante daquele período foi julgado por crime de guerra, crime contra a humanidade. Pegaram alguns peixes pequenos para oferecer bodes expiatórios à turba & ficou por isso mesmo. 

Foi essa a crise que repercutiu nos países ditos "em crescimento". 

Chegou aqui apenas em 2013. Foi usada, aqui como em outros países, como um modo de desequilibrar o estado nacional, os governos de centro-esquerda & se criar uma agitação antidemocrática, que colhemos hoje, em 2018 & já antes em 2016 & 2017, como fascismo popular, maduro & pronto para o consumo sanguinário.

A crise não iria derrubar os EUA ou algum país europeu igualmente forte. Não derrubaria o Japão. Não derrubaria nenhuma moeda fundamental ao equilíbrio financeiro mundial. 

Mas tinha o necessário não apenas para encomendar extrema concentração de renda nesses lugares, mas para também enviar ondas de choque às economias crescentes, que sentiriam maior impacto.

Durante o fim do primeiro governo & o começo do segundo de Dilma Rousseff o impacto se fez sentir. 

Paus mandados da cúpula financista do mundo - as duas casas do congresso brasileiro - fecharam as portas a qualquer medida que aliviasse o impacto da crise, para que se pudesse usar o argumento para uma eventual derrubada da presidente & implementação de um governo de saqueadores a serviço do capital transnacional.

Derrubada que custou mais do que isso: 

1) custou o emprego de uma peça descartável, o Edu Cu; 

2) custou um empenho jamais visto da Rede Golpe (& as peças acessórias na mídia impressa & online) em fazer o que sabe fazer melhor: a lavagem mental para o "efeito manada", descrito por um de seus dirigentes; 

3) custou agitação estrangeira semelhante à da "Primavera árabe" para desestabilizar a população, instaurar um ambiente divisivo que acabaria por autodestruir o país; 

4) custou a Lava Jato, uma operação falsa, facciosa, fingidamente jurídica, para enquadrar lideranças & movimentos populares sob a desculpa esfarrapada de agir contra a "corrupção" política, desculpando ou liberando os maiores corruptos & corruptores para entroná-los em posições de governo ou legislação, sorrindo com eles em fotos famosas, indo prestar contas aos chefes no exterior, como fez o juizinho Mordor.

Edward Snowden demonstrou como a espionagem a Dilma Rousseff e à Petrobrás procurava encontrar modos de minar ambas para poder depois tomar conta do petróleo que era (não é mais) do Brasil.

Wikileaks mostrou como o liliputiano golpistinha agia de escondido, secreto, mandando informações para uma embaixada estrangeira sobre aspectos internos  & delicados de política nacional que pudessem ser usados por instrumentos de inteligência para desmantelar o país.

E foram. 

Desde os ataques monstruosos de 11 de setembro aos EUA o plano vem sendo descortinado. Inventou-se o inimigo inexistente do extremismo terrorista, acionado sempre que se precisa estimular no público um ódio vingativo, um sentimento fascista de grupo racial ou nacionalista, uma intervenção militar em área geoestratégica ou com fontes de energia desejáveis para os próximos anos, quando fontes de energia se tornarem muito raras & caras.

Estava já tudo às claras no documento sobre a Nova Ordem Mundial, de um grupo de poderosos que começou a traçar esse plano no fim dos anos 1990, mas que vinha de muito mais longe, desde antes de famosos apertos de mão com Saddam Hussein. 

Delineado linha a linha. Pode ser aplicado a isso que era o futuro deles com muito mais exatidão do que as Centúrias de Nostradamus jamais puderam (& bem que o velho adivinho gostaria).

Em uma palavra, plano. 

Os próximos passos também estão claros: o Brasil, como algumas outras, será uma nação escrava na Nova Ordem Mundial, uma versão de serviços do antigo colonialismo. 

Multidões sem direitos trabalhistas serão "empregadas" por uns míseros trocados para feitores brasileiros de senhores estrangeiros. Miséria nunca vista cobrirá as ruas das cidades, & a massa que não se conformar será esmagada por militares, também parte do método Jucá de Golpe de Estado: "com o STF, com tudo".

Com tudo.

Esses feitores brasileiros são os políticos de direita, parte significativa dos grandes empresários e do exército & suas ramificações ainda mais sombrias, porque inivisíveis (& quem levanta o véu para ver, como sabemos, acaba indo ver também as raízes das plantas).

Houve casos extremos, como a Síria, & o melhor, para os verdadeiros senhores deste país, é que sequer precisaram invadi-lo com força militar, fazendo uma sujeira danada & criando um problemão para explicar a encrenca no futuro: os brasileiros entregaram tudo o que tinham voluntariamente, & achando bom. 

"De mão beijada", como se diz por aqui, expressão de gente servil ao velho mundo reinol, o da velha colônia. 

Os brasileiros são escravos dóceis, o melhor tipo de escravo que há.




Pedem que os militares venham botar ordem no coreto. Mas não se perguntam:

a) Onde estavam os militares quando houve um Golpe de Estado contra presidente eleita democraticamente, & inocentada então por perícia técnica do Senado, inocentada pelo Ministério Público, & hoje com atestado completo de idoneidade? E para pôr bandidos no lugar dela?

b) Onde estavam esses militares "patriotas" quando a cúpula golpista doou para os estrangeiros nossas maiores riquezas, nossos recursos naturais, o petróleo, a água, nossas terras? 

c) Onde estavam esses militares salvadores quando o golpistinha chamou uma superpotência para pôr uma base militar na Amazônia? 

d) Onde estavam os militares "patriotas" quando juízes soltaram todos os corruptos da lista do Garoto Juká lá na conversa com o chapa da Transpetro, o acordo com tudo?

e) Onde eles estavam quando prenderam um líder popular, ex-presidente, inteiramente inocentado pela única prova que se conseguiu, a prova de que o triplex pelo qual está encarcerado numa solitária não é dele? 

Nesse último caso, os "patriotas" se agitaram & saíram ameaçando o STF que, se não prendesse o inocente, estavam prontos a intervir. De resto, estavam do lado, literalmente do lado, do Brasil golpista. 

Bolsonóia também acha que a Amazônia não é parte do estado nacional do Brasil & pode ser doada convenientemente.

Quem pede intervenção militar assina uma declaração simples & direta de completo retardo mental.


***



Guilherme Boulos, candidato a presidência da República pelo PSOL escolheu um herói excelente, perguntado sobre no Roda Viva: Zumbi dos Palmares. 

Esse não se entregou. Mas o repugnante mediador já havia avisado Boulos antes - mediador com sorrisos de mordomo covardemente assassino (parecidos com o do golpistinha) - que gente como ele acaba não podendo governar, apeado do poder de um jeito ou de outro.

E Boulos, uma das poucas pessoas de brio no país ainda vivas & fora da prisão: "Nós queremos governar para os 99%, não para o 1%. E não vamos aceitar chantagem de ninguém."


***

É importante ir assistir ao premiado documentário O Processo (2018), de Maria Augusta Ramos, sobre os bastidores do Golpe de Estado de 2016. Está em cartaz, faz algum tempo, já.

O filme é sólido: mostra sem dó as contradições & os erros do Partido dos Trabalhadores, mas mostra, sobretudo, a canalhice de se aproveitar isso, que é inerente à democracia, para desmontá-la de modo irresponsável, arrastando o país à completa ruína que estamos já próximos de presenciar.

O documentário termina de modo oracular. 

"Ficou muito claro para a sociedade brasileira
qual é a aliança pelo impeachment: reúne
corruptos, torturadores e traidores da pátria."

quarta-feira, 11 de abril de 2018

"ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM"

Vigésimo-quarto mês,
Ano III do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer


LULA LIVRE


Poucas vezes em um período de vida se presencia um momento efetivamente histórico pelo incomum de sua circunstância, pela força moral de seu ator, pela superioridade das suas palavras.

A Mídia Ninja notou que se tratava de um momento desses, destinado a ficar na História, & postou isto, & isto brilha por si:


Hoje é mais um dia de luta pela liberdade de Lula, preso político da nova ditadura brasileira, sequestrado de seus direitos por um juiz - de título duvidoso, inteligência nenhuma & garoto de recados da mídia golpista -  servindo a interesses estrangeiros privados, decididos a explorar recursos nacionais & naturais do Brasil, & a força de trabalho brasileira, reconvertida pela presente ditadura de criminosos feitores nacionais (a serviço dos verdadeiros senhores da economia) à quase escravidão.

Precisamos de um novo Dia da Independência, & ele virá.

LULA LIVRE. BRASIL LIVRE.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

MÁRTIRES

Vigésimo-quarto mês,
Ano III do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer
LULA LIVRE


Mártires não são apenas pessoas injustiçadas.

Injustiçados são todos os do andar de baixo, as pobres pessoas que mal sabem o que lhes acontece no horror diário da injustiça imposta pelo andar de cima.

Mas mártires têm de ser pessoas injustiçadas, também, por princípio, ou não seriam mártires.

Se não basta a injustiça, o que mais gera um mártir? Uma porção de coisas. Vejamos:

1) O mártir em geral vem originalmente de um lugar humilde, um lugar do ódio social, do preconceito, das franjas mesmo da sociedade;

2) O mártir supera a circunstância, não por ser ambicioso, nem por fama, nem por nada disso: supera porque tem uma visão, porque essa visão lhe foi incutida pela própria origem, pela própria percepção das injustiças, & a visão conduz o mártir para além do cativeiro de origem;

3) O mártir em geral é eloqüente, porque ter uma visão dota a pessoa de uma força elocutória incomum;

4) O mártir é também carismático, porque ter uma visão dota a pessoa de uma força carismática incomum;

5) O mártir em geral chega a poder realizar ao menos parte de sua visão, mostrando que tinha estofo para realizações, para conduzir com gentileza a um mundo melhor;

6) O mártir não pode ser perfeito, pelo simples fato de que não existe perfeição humana;

7) O mártir incomodará o poder estabelecido com suas palavras & ações, sempre. É inevitável, porque todo poder estabelecido fez de tudo para se estabelecer, & quer ficar lá, porque o verdadeiro poder se diz divino ou meritocrático sem ser nenhum dos dois, & jamais é legítimo;

8) O mártir, inocente, será perseguido & ameaçado: pode ser com ofensas, cuspe, paus & pedras, lanças, coroas de espinhos & chicotes, armas de fogo, tanto faz; será perseguido também pela lei, porque há uma diferença básica & filosófica entre lei & justiça: a lei serve ao poder, a justiça é metafísica;

9) O mártir sofrerá algum tipo de traição: pode ser traição do grupo de pessoas ao qual se esforçou por ajudar, pode ser a traição de um beijo covarde no rosto, pode ser a dica do covarde para o poder sobre onde o mártir está, pode ser o amigo ou o membro da justiça que vira o rosto, nega o amigo, o que esquece o dever da  justiça em favor do clamor dos poderosos, ou aquele que lava as mãos;

10) O mártir, muitas vezes, é preferido para a punição, sem culpa, diante de um culpado impune, & o é frequentemente por aqueles a quem ofereceu o trabalho de sua vida.


Ontem (vejam como as coisas são) dia 4 de abril de 2018, foi o aniversário de 50 anos do assassinato de Martin Luther King. Um mártir.

Era 1968, o ano daquele mês de maio em Paris, que mostrou uma juventude disposta a contrariar, em massa, os poderes constituídos de forma injusta; foi o ano do Ato Institucional n. 5, na ditadura militar brasileira, quando a ordem era, como hoje, lançar "às favas os escrúpulos de consciência" em favor da tortura & da morte de muitos milhares de brasileiros que queriam seu país & sua democracia de volta.

Quem estuda um pouco de História eu suponho que o faça por acreditar, ou desejar, aprender com o passado a não repetir os mesmos erros no presente, no futuro.

No entanto, vejo muitos cristãos seguindo voluntariamente o caminho de mandar prender um mártir, sequer percebendo as correlações da fé que professam em sua atitude tão injusta quanto, no seu caso (eu não sou cristão), blasfema; vejo gente que deveria ter aprendido com as lições do passado, mas gritando por terror nas ruas, terror que, por fim, voltará contra si própria - Nêmesis, já ensinavam os antigos gregos.

Observei, ontem, as novas peças se movendo do mesmo modo no muy antigo tabuleiro. Nenhuma diferença. Chega a ser tedioso observar os mesmos personagens fazendo os mesmos papéis.

O mártir, Lula, que já deveria saber o que o esperava, cercado pelas pessoas do seu convívio; as massas, que Lula governou segundo a antiga visão que teve de um país mais justo, quando tirou 40 milhões de seus irmãos & irmãs da abjeta miséria, & essas mesmas massas rindo & pedindo sua cabeça aos velhos poderes injustos & constituídos da mídia, da política & do judiciário; a covardia & a culpa estampadas na cara apertada de Rosa Weber, que já fora, nenhuma surpresa, conivente com o Golpe de 2016; o ardil covarde & subserviente de Cármen Lúcia, menos ministra do Supremo do que títere de Temer, da Rede Golpe & do jornal Falha de São Paulo; o circo todo armado por esse ratinho de Curitiba, prestes a se recolher - após o serviço prestado ao poderio de estrangeiros - de volta ao buraco fétido & escuro de onde sua irrelevância ignorante & servil apareceu via Rede Golpe.

Ontem, 4 de abril de 2018, criou-se - sem que o Brasil perceba, ainda - um novo mártir. Essa mancha de injustiça mítica, arcaica & sempre igual dificilmente se apaga da História de um país. 

Amanhã é outro grande dia de vergonha nacional.

Não há como devolver a vida que roubaram a Martin Luther King, não há como devolver os 27 anos que roubaram à vida de Nelson Mandela por seu injusto & político encarceramento. Não há como apagar as cicatrizes de um chicote ou de uma coroa de espinhos, &, como MacBeth sabia, a mancha de sangue parece nunca ser lavada das mãos. 

O Brasil, país covarde, segue cometendo esse tipo de injustiça sem nunca encarar os fantasmas em seu armário: a escravidão, a ditadura militar, todas as manchas que o país, infantil, decide jamais encarar & reparar, por medo de se ver coletivamente culpado delas. E, assim, condenado sempre a repeti-las. 

O teatro é feio & desagradável, & só mesmo os canalhas têm prazer em assistir a isso.

Mas o destino que o futuro reserva aos canalhas é horripilante, também, embora eles ainda não saibam, porque é raro um canalha que saiba algo de História. 

Seja como for, a História de fato se repete: Lula será preso, & um tipo como Aécio Neves  ou Michel Temer seguirá livre. 

Escolha dos poderosos, escolha do povo.

História, para o futuro. 

Este blog incorpora a seu cabeçalho, a partir de hoje, a luta para a libertação do ex-presidente, primeiro preso político ostensivo da nova ditadura, grande liderança popular & homem de história notável neste país que não o merece. 

quarta-feira, 28 de março de 2018

O MECANISMO FASCISTA

Vigésimo-quarto mês, 
Ano III do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer

Zé Padilha logo terá seu mundo policial ideal instalado,
& nós já o conhecemos daquele livro do Orwell, 1984.

Sobre O Mecanismo, da Netflix, há umas coisinhas a dizer.

Hoje, o Brasil é um país fascista.

O fascismo funciona à base de propaganda & violência. Para existir, precisa arregimentar os preconceitos mais profundos de uma população & criar uma virtualidade geral do medo, seja o medo de perder emprego, medo do estrangeiro, medo de pandemias, medo da diferença, medo da violência urbana, etc. 

A partir desse medo, provocar a violência da reação cega das multidões.

O fascismo precisa, fundamentalmente, de um pensamento único & não muito elaborado: o ódio coletivo serve a criar esse pensamento único, & o medo serve a coibir qualquer elaboração inteligente, porque se houver elaboração inteligente lá se foi o controle fascista sobre as massas.

O Mecanismo, peça de propaganda da extrema-direita no país, estimulado & acolhido pela Netflix, mostra precisamente como é que se faz. Note-se, também, o timing exato: o caso de Lula no STF, o reforço do juizinho camicia nera de voz fina no Roda Viva & as espantosas milícias fascistas no sul atacando com armas de fogo & pedras a caravana de Lula, ferindo gravemente muitas pessoas, sob a conivência da polícia local.


"Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer
delação". Na próxima temporada o Lula vai dizer
essa frase também. Justiça é pra todo mundo, 
não é, juiz?

O fascismo, como já vimos antes no século XX, é bastante organizado, policialesco, militarista & maciçamente propagandístico: depende efetivamente de cada um desses itens.

Padilha, o diretor do seriado da Netflix, é um caso curioso: quando apareceu nos radares foi com o filme Tropa de Elite (2007). Não assisti no cinema, porque aquilo, pelos trailers, me parecia uma coisa funesta. Assisti, depois, por insistência de amigos que gostavam do filme.

Minhas impressões se confirmaram. Terminei de ver e pensei: "quem fez isso é um fascista". Mesmo amigos & amigas, gente que tem noção das coisas, não concordavam comigo, mas eu não tinha dúvida alguma & onde se discutia o assunto sempre dizia: "esse cara é de direita, & de uma direita perigosa, particularmente perversa".

Hoje, é claro, não resta mais dúvida alguma de que tinha razão, & ninguém mais vem discutir o caso comigo.

Tropa de Elite já trazia os elementos que se tornaram caricatos em O Mecanismo: personagens que discursam ideologia sequer como personagens, mas como sucursais da opinião do diretor, de modo panfletário & explícito; inversão voluntária de causas & conseqüências; uma apelação sentimental à figura da família de papai & mamãe; a defesa nada dissimulada de uma ordem policialesca, montando como heróis figuras violentas & "impolutas" (condenar ficcionalmente os policiais corruptos é apenas um truque para mostrar que separa o joio do trigo, mesmo truque agora em dizer, falsamente, que condena corrupção dos dois lados, esquerda & direita).

O que chamam de qualidade no que Padilha fez & faz é a cópia do estilo de ação dos filmes estadunidenses, & daí já se vê que a idéia de qualidade de quem diz uma coisa dessas é bastante acabrunhante.


As pataquadas que o Padilha imita de Hollywood já foram zoadas 
pelo ótimo Edgar Wright com os impagáveis Simon Pegg & Nick Frost.

Serviu, naturalmente, para que Padilha tentasse a sorte em Hollywood em 2014, fazendo uma refilmagem de Robocop (1987), a obra-prima original de Paul Verhoeven. A refilmagem foi tão absurdamente ruim (mesmo com alguns dos maiores atores de Hollywood no elenco: Samuel Jackson, Gary Oldman, Jennifer Ehle, Michael Keaton, Abbie Cornish & até o chato famoso do Jay Baruchel) que matou a pretensão de carreira hollywoodiana de Padilha ali mesmo.



Mas Padilha voltaria ao seu estado policial com Narcos (2015), seriado que faz o esquemão convencional de "guerra às drogas" com todos os previsíveis clichês, aproveitando-se de dois grandes atores, basicamente, Wagner Moura & Pedro Pascal, em papéis carismáticos.

Qualquer um que, futuramente (agora é impossível, numa era fascista ninguém pensa), dê uma espiada na carreira do diretor notará que as comparações que voam por aí com Goebbels não são inteiramente fortuitas: desde o começo o esquema de Padilha foi o da propaganda, mais ou menos explícita, de um estado policial, de converter a má leitura da realidade em causa de medo & o medo em combustível para a violência como solução.
Parece que vai ter disputa pelo título.

Poderíamos até imaginar que isso se deve à própria inanição mental de Padilha, que estaria, talvez, impossibilitado de ver através da espessa nuvem de preconceitos que obscurecem sua capacidade de pensar com alguma qualidade, mas um aspecto no novo seriado chama a atenção & contraria essa hipótese:

pôr na boca de sua caricatura ruim de Lula o que disse Jucá foi cálculo.

O tendão de Aquiles do Golpe continua sendo a famosa gravação onde Jucá & Machado, da Transpetro, detalham exatamente como o Golpe ia se dar, como pôr Michel Temer no troninho seria um acordo com tudo (incluindo Exército & STF) para "estancar a sangria". 




A sangria a que se referiam na gravação (memória & história, para evitar que malandros falseiem a coisa) era a prisão de corruptos graúdos, que Dilma Rousseff, então presidente, permitia que ocorresse sem interrupção ou intervenção indevida de seu poder.

OU SEJA, se alguém REALMENTE estava preocupado com corrupção de político, cometer o Golpe de Estado para derrubar Dilma Rousseff foi estúpido, que, além de honesta elle-même, era Rousseff quem fazia a sangria nos grandes corruptos, que queriam derrubá-la precisamente por esse motivo.

Agora, notícia de ontem, fresquinha: o STF acaba de rejeitar a denúncia contra Jucá. 

Estancou a sangria, né? Estancou bonito. 

Ahora bien.

APENAS uma peça de propaganda que criasse uma nova verdade, no lugar da verdade desagradável, poderia lavar a mente (como a Lava Jato faz, já pelo nome, & a Rede Golpe tem feito) do público que, aliás, nem presta muita atenção a qualquer coisa que venha a perturbar a história oficial, porque está muito distraído com novelas, futebol & Jornal Nazional.

Ao dizer que Jucá não patenteou a frase usada, permitindo transferi-la para Lula, Padilha sabe o que está fazendo sob a farsa da sua "licença criativa": está reescrevendo a história pelo avesso, dando à vítima o discurso do algoz. É uma operação ideológica conhecida como a "mentira hitleriana", que era, é claro, um dos recursos mais prestigiosos do mecanismo de propaganda nazista de Goebbels.

A sem-vergonhice de dar a Lula a frase asquerosa de Jucá é uma inversão completa, voluntária & com objetivo.

O nível de seriedade do ato não passaria despercebido a ninguém, nem mesmo a Padilha, ainda que Padilha fosse um completo quadrúpede: ele sabe o que está fazendo & o que fez foi com o cálculo sórdido do "efeito manada", que um de seus comparsas no Golpe, um dos Marinho, teria dito antes a Dilma Rousseff sobre a impossibilidade de reverter o efeito da avalanche de mentiras na população.

O "efeito manada", ou hive mind, ou herd behaviour. A massa de manobra, o público-alvo de O Mecanismo.



O Mecanismo, em ação. Faz o filme, Padilha!

O timing de lançamento do seriado de panfleto fascista também não deixa dúvidas: o objetivo é, em primeiro lugar, a prisão política de Lula pela desqualificação de sua pessoa pública, como a mídia vem fazendo há anos & tem o reforço final agora no episódio do habeas corpus no STF; em segundo lugar, a contínua instauração, cada vez mais passiva, de um estado policial, como o que se observa no Rio com Interventor Militar & que já tem mais de uma tragédia nesse período; &, por fim, influenciar definitivamente no resultado do que quer que seja a, ah-ham, "eleição" no fim deste ano.

A Netflix não é desinteressada nisso, mesmo que a matriz tenha incorporado ao seu catálogo a série inglesa que é o contrário de O Mecanismo, Black Mirror; porque enquanto Padilha repete seu corolário de falsidades & fascismo, Black Mirror adverte precisamente contra o acirrar dessas visões de pesadelo oferecidas como a solução de extrema-direita para o mundo. 


Quer entender o mundo de hoje? Assiste Black Mirror
& não a Lava Jato mental do Padilha.


Black Mirror é o antídoto contra O Mecanismo.

Aceitando o seriado brasileiro, tecnicamente ruim, histórica & voluntariamente falso, & ideologicamente fascista, a Netflix no Brasil mostra a que vem: repetir o que a Rede Golpe faz desde que foi criada, i.e., veicular propaganda de extrema-direita, controlar as mentes aproveitando momentos de fragilidade, medo coletivo & ódio social, dirigidos para efeito político. 


Olha só a gente de bem da Alemanha de ontem: já é
quase o Brasil de hoje. Amanhã a gente vai achar algum
deles pra perguntar como é que entraram nessa? Acho que não.

O timing do Padilha é perfeito, como disse: intervenção militar trágica no Rio de Janeiro, execução de Marielle Franco, milícias fascistas com armas de fogo atacando a caravana de Lula no sul, Bolsonóia & seus capangas se assanhando.

O que se fez contra Lula, com tiros, é o que se chama "atentado político". O que Padilha fez com Lula & Dilma tem o mesmíssimo nome. 

Muita gente, bem cara de pau & bancando a santinha, depois vem te perguntar: "Nossa, mas como pode acontecer um negócio que nem o nazismo? Que horror!".

Resposta: olha pra sua cara no espelho. Todo mundo agora acha legal ser o fascista da hora, zombar de assassinato de defensora de Direitos Humanos, de defender o uso de bala & chicote contra adversários políticos, de casuísmo para efetuar prisão política, de assistir a seriado panfleto para a propaganda de bandidagem fantasiada de justiça, enquanto juizinho encomendado por serviço de inteligência alheio é "convidado" por programa de entrevistas.

Não há pressa. A gente conversa depois que a sua sede de sangue passar.  

E quem está surpreso?

Eu, que há 3 anos venho advertindo aqui que esse era o caminho tomado, não: o mecanismo estava claro para mim, como está ainda mais claro agora.

quinta-feira, 15 de março de 2018

COMEÇOU

Vigésimo-quarto mês,
Ano III do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer

Marielle Franco 
(1979-2018)

Quando o Golpe de Estado completa dois anos nesta ditadura & já asfixia o Rio de Janeiro com intervenção militar, a execução da jovem socióloga, ativista de Direitos Humanos, militante feminista & vereadora do PSOL, quando monitorava & denunciava a ação militar no estado, mostra, enfim, para quem não vira ainda no Golpe contra Dilma Rousseff, na perseguição política & falsamente jurídica contra Lula & na morte de Teori Zavascki, as presas afiadas do novo regime.

O Brasil está morto. O Estado de Direito, aqui, está morto. Jornalistas, artistas & ativistas já pregavam, há muito, por atos de explícita desobediência civil. Nada, que não seja isso, poderá devolver ao país sua soberania, sua civilidade, sua chance de autodeterminação democrática, que se conquistou por preço tão caro, & há tão pouco tempo, & que perdemos num momento abominável, em mais uma mancha perversa na nossa História.

A execução fascista, a que hoje assistimos horrorizados, de uma das figuras mais vivas, vibrantes, inteligentes & comprometidas com o bem público, traz ainda outra lembrança horripilante do passado de volta & é, ao menos para mim, o mais trágico & final sinal vermelho. Vermelho de sangue nas mãos do Golpe, da ditadura, da intervenção militar.

Isso precisa acabar agora. 

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

INTERVENTOR MILITAR NO RIO DE JANEIRO

Vigésimo-terceiro mês,
Ano III do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer


Igual a 1964. Mas ninguém vai derrubar o governo:
vai ficar só olhando & deixando acontecer.


SE o Brasil fosse um país civilizado & democrático, bastaria o título desta minha postagem para que começasse uma revolução que fosse a Brasília & chutasse a gangue de usurpadores do poder.

Porque o título da minha postagem soaria como o mais pavoroso filme de horror, & teria mesmo um gosto muy amargo de déjà-vu.

MAS estando as coisas como estão no nosso Planeta Fascista, 80% da população está achando é bom, até porque a máquina de hipnose da TV Golpe já deu o aval para a dominação milica.

"O Rio de Janeiro continua lindo". 

Eu, que adoro o Rio, & que costumo cantar essa canção do Gilberto Gil com gosto, sabendo que é sempre uma verdade, começo a sentir um travo na letra. E me parece ademais óbvio que isso não vai se restringir ao Rio.

Já podemos começar a repetir a linha do capitão Kurtz? Eu acho que sim, até porque este AINDA não é o fundo do poço. Se preparem.

The horror, the horror, the horror.