quinta-feira, 29 de setembro de 2016

1992: E NINGUÉM É CIDADÃO, MESMO

Sexto mês, 
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer





E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
diante da chacina

111 presos indefesos, mas presos 
são quase todos pretos
ou quase pretos, 
ou quase brancos quase pretos de tão pobres
e pobres são como podres 
e todos sabem como se tratam os pretos

Cantaram Caetano Veloso & Gilberto Gil em 1992, & eis o que vemos agora.

Este país se tornou algo que já não merece que nada se diga dele: é um lugar de juízes fascistas, de policiais assassinos, de governo ditatorial, de mídia mentirosa & sem-vergonha, & de acomodados de poltrona bancando valentões & rosnando, da extrema direita destruindo com uma canetada a educação do país, & sorrindo ao apertar a mão oleosa da Shell para lhe dar de presente o patrimônio público mais rentável.

"Ninguém, ninguém é cidadão".

A verdade final, permanente. E a falta de coragem do eterno não-cidadão.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

REVOLUÇÃO

Sexto mês,
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer


A aceitação da denúncia contra Lula é a prova final de que o Brasil é um país sem vestígio de lei (aquele rato camicia nera é o acusador, o juiz & o algoz, & se isso é lei a gente pode voltar pra Inquisição medieval): farão tudo o que for necessário para proteger os interesses sujos desta ditadura. O bando de ratos não vai parar, com o alimento gordo que lhe dão a mídia golpista & o judiciário podre.

Estão fazendo o que bem entendem, seguindo o método Jarbas-Passarinho-AI-5: "às favas os escrúpulos de consciência". Lula será a segunda vítima inocente de canalhas sujíssimos que sequer são investigados, com provas até às orelhas contra eles.

A sujeira é tanta que indo discursar na ONU o mínimo covardezinho do nosso ditador, algumas delegações lá presentes, sentindo o fedor insuportável de bueiro aberto, simplesmente se retiraram do recinto (o fato de algumas delegações tirarem o time de campo mostra que a dignidade não é totalmente uma coisa do passado).

Não se pode ficar apenas assistindo a: é preciso derrubar a nova ditadura.

Como diria Marcellus em Hamlet, de Master William: "Something is rotten in the state of Brazil". Hamlet iria tirar o rato usurpador do poder. O custo foi altíssimo, mas porque ele era um só. O Brasil pode derrubar o rato usurpador com um sopro, porque são quase todos contra ele: do lado dele só a sua cuidadora, aquela vestida de branco.

Em tempo, Criolo no Metropolitan:


Não conhece o Criolo? Devia. Resolve fácil já aqui:


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

UMA AURORA VERMELHA

Sexto mês,
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer


O reles serviçal Sérgio Mordor (claro, de preto) entregando os 
vazamentos ilegais para o Sarumarinho, na central da TV GOLPE

O Brasil é um país ficcional.

Ontem, o ex-presidente Lula (abaixo), contra quem - como Dilma Rousseff antes dele - as acusações carecem do mais elementar da prova, ou o ainda mais básico da substância, foi de novo posto na necessidade de defender sua honra publicamente de um bando ordinário que supostamente agiria com a lei & pela lei - isso que, como sabemos, não existe neste país da ficção.


O público brasileiro, que enche as salas de cinema & adora torcer & se comover pelas figuras do chamado bem, adota, quando o problema se apresenta no mundo real, a posição da multidão que prefere Barrabás.

Todo mundo quer ser do bem, & dizer estupefato: "como as pessoas daquele lugar deixaram as coisas chegar a esse ponto?". 

Mas a ficção nos ajuda, aqui.


Todo mundo assistiu ao Senhor dos Anéis, ao menos, se não leu os livros de J.R.R. Tolkien diretamente. Na segunda parte, As Duas Torres, o cerco que Mordor impõe ao mundo humano é praticamente insuportável, e a batalha de Helm's Deep está praticamente perdida com o bando violento & sem cérebro dos Uruk-Hais chegando com tudo à última parte da fortaleza, cuja porta já vem cedendo aos Golpes de aríete.

Théoden (acima), o rei de Rohan,  homem virtuoso & de coragem, que esteve recentemente sob o controle de Mordor, está abatido, & diz: "O que podem os homens contra um ódio tão sem medida?"


As forças da escuridão são numerosas & sem inteligência; batem à sua porta com estrondo & violência; fazem vítimas entre os inocentes; ameaçam derrubar tudo o que se construiu arduamente pelo bem comum. 

Mas, por sorte, Théoden tem a seu lado o valoroso & incansável Aragorn, que chegará a rei. 

Aragorn diz: "vamos atacar juntos". Acende a última coragem do rei já sem esperanças, que via o mundo humano ruir diante da brutalidade escura daqueles que o atacavam para tomar dele o poder, a vida, o Direito. Théoden acorda & decide que, se tudo está perdido, que ataquem uma última vez juntos.


"Pela Aurora Vermelha". Claro que, sendo ficção catártica que deve nos reconduzir ao conforto de saber que o lado certo triunfa, não apenas o valor, a coragem & a correção de Théoden são recompensados com a vitória, mas ele também encontra amparo de figuras emblemáticas como o próprio Aragorn & o mago Gandalf (que traz as tropas do sobrinho Éomer para socorrer na última hora, & inunda as hordas malignas com a magia de sua luz cegante).

O Brasil está numa escuridão muito parecida com a de Mordor: o ex-presidente (que é recebido onde vai no país pelos gritos de "Lula, guerreiro do povo brasileiro") é acossado por figuras repugnantes & corruptas da direita, por figuras conspicuamente vestidas de preto à la Mordor, que fingem estar com a lei & o direito apenas para pisar em ambas as coisas. E, assim, o ex-presidente está diante de sua batalha decisiva, com os canalhas à sua porta.

Desejo a ele que tenha um Aragorn a seu lado, que na última hora Gandalf lhe traga um Éomer para ajudar na luta. Espero que não seja só a ficção a recompensar o valor.

Quanto à aurora vermelha: a do comunismo de bichos-papões? do capitalismo de estado do genocida Stálin?

Não: quando os fascistas da ditadura seqüestram as cores da bandeira, ao menos eu prefiro usar mesmo a do meu próprio sangue. 

CONVICÇÃO

E parece que ter convicção, mas não ter provas, é uma nova possibilidade legal. 

Lá se foi a presunção de inocência antes de se provar crime. 

O que torna as coisas interessantes, por outro lado, porque passa a ter precedente que denúncias sejam acatadas por mera convicção.

Não é preciso que você, por exemplo, seja promotor, juiz, nada disso, porque convicção cada um tem a sua. Eu, por exemplo, estou repleto de convicção do papel representado por Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer, Aécio Neves, José Serra & uns tantos outros, nas vastas, numerosas acusações documentadas contra eles.

Mas quem falou a melhor coisa sobre convicção foi Douglas Belchior, a.k.a. Negro Belchior, ativista das causas dos direitos humanos & blogueiro ativo. Belchior agora disputa uma vaga de vereador, pelo PSOL, na próxima eleição. 


I rest my case.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

VOCÊ NÃO QUER VER

Sexto mês,
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer



você não quer ver isto dizem os estranhos
médicos cobertos de branco sem olhos que não seja o vidro
dizem os militares cobrindo dezenas de cadáveres encomendados
pelo estado que obedeceu ao pedido dos empresários que estavam
só obedecendo às ordens do dinheiro vivo                      

você não quer ver isto e então eles põem as mãos espalmadas
na frente do olho de curiosidade da câmera
só agora lembrados da insídia que segue
entre público & privado só agora filosóficos de ninharias
nugis vulgus pascitur
disse e estava certo marsilio ficino

você realmente
não quer ver isto dizem os políticos num passe de mágica
jurídico-midiática não são mais criminosos golpistas sorriem 
com mãos atrás em pescoços quebrados manchas de óleo números 
de contas você nem consegue olhar para isto que indústrias fizeram 
ao envenenar a sua comida o seu chão
envenenar as relações entre pessoas envenenar
esta doença esta vacina

esta vacina inoculada para te indexar reduzir a resposta da vida
enquanto variam os vírus de laboratório nos insetos
não quer ver isso e então te sedam com máquinas hipnóticas
com ondas curto-circuito na sua mente te deixam como um bom
obediente cordeirinho bicho mau só mesmo ao atacar alguém
que te disseram quer tirar o seu lugar nesta mesa neste estádio
neste mundo

você não quer ver isto disseram policiais espancando 
um bando ingênuo de estudantes que achou que podia fazer frente 
a esse estado de coisas
ou vamos agora rir todos juntos porque você não quis ver 
e viu não obstante
e bastará dizer que você vê conspirações em tudo que você não quer
ver nada disso a verdade diziam os velhos teólogos te salvará 
te cegará te fará subir desta ordo para a contemplatio

não quer ver isto
os de bons olhos que escolheram a cegueira os cegos que o clichê
diz que enxergam mais e é verdade
o túnel branco que enxurradas no centro de prazer do cérebro
fazem inundar os seus sentidos logo a expirar
ou o gás lacrimogênio que faz do ar cacos de vidro
na sua garganta tentando não ser pisoteada
não quer saber o comediante disse
é tudo uma piada
continue dopado dormindo fuja berre morra

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

MAIS DE CEM MIL

Sexto mês,
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer

Mais de cem mil pessoas na Avenida Paulista ontem, contra Temer, 
que, obviamente, é uma pessoa que tem sérias dificuldades de contar.


Sim, encerrei o assunto do Golpe, como havia afirmado na postagem anterior. 

O Golpe foi um sucesso anunciado, & recebido, como em 1964, com fogos & rojões pelos asnos zumbis produzidos por sua própria jeguice natural + a lavagem mental do "efeito manada" da TV Golpe (antes só jornal Golpe), o império da hipnose coletiva dos babões de poltrona.

Mas agora há a ditadura com que lidar. Alguns acharão que isso é malandragem minha, mas é verdade. Se insistem, há sempre Al Pacino para explicar tudo:



Enfim, dizem que se um cachorro morde um homem, não é notícia; mas se o homem morder o cachorro, claro que aí é.

O que quero dizer com isso?

A milícia alckmista criminosa (lamento se isso soar para algumas pessoas críticas como uma redundância, tenho obrigações com a imparcialidade) passou a semana tendo um déjà vu de 1964, talvez assanhada porque o país não tem mais lei (destituiu uma presidente eleita sem acusação sequer contra ela), ou porque o chefão é uma figura sombria da Opus Dei (& sabe-se lá de mais que outras seitas soturnas), ou porque a temporada de contratação de psicopatas para a corporação tenha sido particularmente rica, & bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha (ainda são de borracha, mas vamos voltar em breve aos "anos de chumbo"), porretes a granel, canhões d'água voltaram todos à moda, especialmente nesta última semana, como era previsível para uma estréia digna da nova ditadura.

E, para completar o pacote ditadura reload pedido pelos integralistas da CBF, chamados às ruas pelo Partido Saqueador D0 Brasil & pela TV GOLPE, mais de 20 pessoas foram presas arbitrariamente, alguns menores, isolados de parentes ou advogados, como de costume. 

Deixa ver no meu dicionário como chama isso. Ah, sim, bem aqui: preso político. Mas que nada: não disseram os jornais & as tvs? Tudo baderneiro, black bloc & bandido. Gente boa é essa que a gente pediu pra dar o Golpe, esses são bem limpinhos & podem mandar na gente. 

Quem reclamar tem que apanhar, ir em cana ou morrer.

Só se agora entrarmos com tudo no Palácio do Planalto,
n'est-ce pas? Eu voto que sim.

Isso seria notícia, porque o Ministro da Injustiça, Lex Luthor, está pondo suas manguinhas de fora, uma vez que o país não tem mais lei & ele, que foi advogado do PCC & do Edu Cu, agora pode vestir seu uniforme vintage da SS & andar à roda do quarto estalando fantasiosamente o chicotinho nas coxas (o Alckmista usa o chicotinho nas costas, mas também não é autopunição, é gosto), com seus comparsas lá fora botando para quebrar. 

Dizem até que, para estar sempre nervosinho como está, usa aquele método berserk de apertar sempre as bolas do saco escroto com amarras duras: é, dizem, o que faz com que tenha sempre aqueles estranhos olhos injetados, que parecem querer ser cuspidos do rosto.

Mas é ainda mais notícia porque dessa vez algo muito novo aconteceu: a milícia alckmista atirou em, bateu em & bombardeou um senador da República, um deputado da mesma, um ex-ministro idoso, muitos outros idosos, um monte de crianças, etc. 

Lançou bombas em bares, dentro do metrô & sequer Laerte Coutinho escapou da Blitzkrieg dos neonazis furiosos do poderoso-chefão Alckmista, que deve achar tudo normal porque é pessoalmente adepto do cilício. Ou porque foi acusado seriamente de crime de responsabilidade, & não porque roubou a comida das crianças em idade escolar.

Senador, ex-ministro + gente pacífica, who cares?

Nem o Laerte escapou dessa.


A sociedade brasileira tem uma boa quantidade de pessoas (sim, são pessoas) achando tudo isso muito bom, muito bonito, como dizia a onça do Guimarães Rosa. 

E isso também é notícia, natürlich, porque é o atestado (se alguém precisava de um) de que o Brasil decidiu embarcar sociopaticamente & de modo hipnoticamente coletivo num fascismo desbragado, curtindo uma ultraviolência que nem tem o lado anárquico que lhe daria ao menos uma filosofia monstruosa & nihilista: nope, a brincadeira aqui é servilismo classe média pra uma centena de ultrarricos velhotes mandatários da ultraviolência, apreciando o espectáculo da própria destruição, esquema masoquista luxo prime

Os milicianos alckmistas, percebia-se só de andar perto deles, estavam babando por uma oportunidade de usar suas armas nos desarmados, a tensão era palpável naqueles gorilas pilhadíssimos segurando suas escopetas, seus cassetetes com um ardor de esdrúxulo desvio erótico.

Nos EUA acontece com certa freqüência perfeitamente explicável de um pirado subir num prédio com um rifle & ir pipocando as pessoas; no Brasil, se a gente for contar o número de tipos que, ao invés disso, vestem uma farda & saem apavorando, a gente vai ficar realmente perplexo. 

Não deveria ser surpresa nem notícia: essa violência é igual à da ditadura militar, & eu não me surpreenderia também se houvesse já uns milicianos salivando, aguardando impacientemente o momento de começar a tortura geral; & não deveria ser surpresa nem notícia, porque essa violência existe desde sempre  exatamente assim nas periferias, onde se mata sem nem se preocupar em maquiar a chacina, porque ninguém está ligando para o que acontece com essa gente que todos preferem invisível ou morta. Ou morta quando não puder mais ser invisível, mortas todas aquelas que não se puder domesticar com um uniforme servil.

Essa violência só foi trazida para o proscênio porque a classe média achou que não ia pegar com ela. Ledo engano. A classe a ser protegida, gente boa, é menos de 1%, é quem pode fazer como o ditadorzinho medroso, que deu pro filhinho de 7 anos R$ 2 milhões em imóveis. Gente que está preparando o luxo de umas duas de suas gerações vadias adiante.

E os milicianos alckmistas, como explicar esses duros que batem com gosto em outros duros?
Lembra de 1968? AI-5? Se não, aí vai um gostinho
pra você saber o que te espera adiante.

Além do tipo naturalmente psicopata que essa espécie de serviço já atrai por princípio, há aqueles que, sacando onde está o poder & não achando jeito de participar dele, entram na de ser uns paus mandados do poder, porque sentem que assim é participar dele, estar com os vencedores, porque o vencedor é aquele que não tem pudor algum de passar por cima do outro, é aquele que não respeita nada, porque respeito é pros fracos, os fortes tomam o que quiserem, de quem quiserem, quando quiserem, & ai de quem achar que vai discutir.

Resumindo: acima eu acabo de declinar qual é a mentalidade brasileira deste momento, a chamada "lei do mais forte", ou a "lei da selva". Quem tiver gorilas, que use os gorilas. O Alckmista está pra contratar mais uns, que os montes que ele tem já não garantem. 

Pô, foram mais de cem mil às ruas dessa vez: os gorilas dele tiveram de esperar reduzir o povo para mandar bala.

O que importa, não obstante, é que, definitivamente, o Micharia Temerária, nosso ridículo ditadorzinho liliputiano, mostrou que não sabe contar (& talvez por isso tenha acabado com o programa contra o analfabetismo, por isso extingüiu o Ciência sem Fronteiras & está cortando 30% das verbas das universidades federais: puro despeito), como vemos aqui:

A desculpa dos golpistas era a de que as manifestaçõezinhas
chamadas pela TV Golpe significavam que o, ah-ham, "povo"
queria que Rousseff fosse destituída. Muy bien, & essa enorme
multidão em uníssono seria o quê?  Claro, baderneiros, vândalos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A NOVA DITADURA

Sexto mês,
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer




"O MY PROPHETIC SOUL!"

Minha arte oracular se provou infelizmente exata quando, há mais de um ano, escrevi que os paus mandados da TV Golpe, aqueles poucos integralistas que foram fantasiados de CBF como uns asnos a uma festa fascista na Avenida Paulista ainda conseguiriam, com o ridículo juizinho camicia nera, Bolsonóia, Edu Cu, Aéreo Nevado & o resto da camarilha golpista (incluindo gente do Supremo Tribunal Fascista), a ditadura que pediam nas ruas.

Não deu outra.

Não é, nem parece que será, uma ditadura especificamente militar (embora os militares estejam nela bem representados: ver a Abin, que voltou para as mãos ávidas de um general, ver a lei que o senador Lagarto propõe para militar poder matar civil & ser julgado só por tribunal militar), mas será uma ditadura. 

E militares vão participar da repressão a quem queira democracia: Temer vai enviar as forças armadas à Avenida Paulista no domingo para impedir manifestações contra a nova ditadura. Não acredita? Leia aqui ou espere depois as fotos:

http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/253114/Temer-autoriza-uso-das-For%C3%A7as-Armadas-na-Avenida-Paulista-no-domingo.htm

aqui:

http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/09/pm-reprime-nova-manifestacao-contra-temer-no-centro-de-sao-paulo-3057.html

Como esta:

Deborah Fabri perdeu o olho esquerdo, 
alvejada pela polícia da nova ditadura 
 em manifestação contra o Golpe

Ninguém, a não ser que se tratasse de um bando de absolutamente completos paspalhos idiotas (ainda que os golpistas estejam muito longe de se distingüir pela inteligência, nota bene) poria tanques de guerra na rua para fazer sujamente o serviço que se faz limpo com uma farsa jurídica apoiada por uma corja de políticos numa encenação ruim de impeachment.

"Me diz onde tá a tão falada diplomacia brasileira.
Me mostra que eu mato."

A parte nova dessa tragédia é que dessa vez os estrangeiros quase sempre souberam que era um Golpe de Estado, enquanto aqui a mídia fez, como de costume, a sua parte no serviço mantendo tudo dentro dos conformes, coisa que eu era pequeno demais para perceber quando os militares desgovernavam este país, mas ouvia falar, & finalmente vi em ação na TV e nos jornais de 2016, ou seja: aquelas estratégias rudimentares & muito vergonhosas de se acobertar um Golpe.

O que foi, por outro lado, uma maravilha: o quem-é-quem se fez de maneira simples & evidente, & hoje sabemos nome a nome quem é covarde, quem é colaborador, quem é simplesmente imundo (uma vasta maioria), & quem não apenas honra o nome de jornalista, mas demonstrou coragem cívica no processo todo.

São bem poucos. O resto é escória. 


Oooops


TRAGÉDIA

Não era uma tragédia até Dilma Rousseff apresentar sua defesa, ela-mesma, por quase 15h diante do Senado: tornou-se uma tragédia naquele dia.

A tragédia exige uma personagem de alta dignidade disposta ao sacrifício, que terá, para o bom observador aristotélico, aquele efeito catártico das grandes tragédias. 

Ajuda, também, que o que esteja em jogo supere em muito aquela pessoa, & que aquela pessoa o saiba, & aceite o sacrifício para tentar evitar o desastre maior.

Ajuda, também, que a pessoa em questão tenha exibido antes uma hybris, ou um excesso de orgulho, um desajuste muito ruim de suas medidas. 

Ajuda, igualmente, que a dita pessoa tenha se provado antes de proporções heróicas, como Rousseff memoravelmente se provou durante as crueldades inomináveis que lhe foram impingidas durante a ditadura anterior, a militar, & ela se manteve impecável, firme, durante o horror.

Como no último momento daquilo que até então vinha como uma farsa particularmente ridícula pela atuação dos personagens baixos com quem era obrigada a contracenar.

A elevação moral de sua força, o incansável de sua dignidade, a aplicação persistente de sua inteligência, exemplares, transformaram o episódio em um dos poucos momentos trágicos que já teve o em geral farsesco Brasil.

Sim, esta é bem a cara do Golpe, senhoras & senhores

A LATA DE LIXO DA HISTÓRIA

Por que a ameaça da "lata de lixo da História" não funcionou lá em Brasília? 

Simples.

Suponha que você seja um supercorrupto com contas na Suíça, um ultralatifundiário, um chefão do narcotráfico, um fascista sociopata, um fundamentalista multipreconceituoso, um agente hidrofóbico da indústria bélica, um agente da indústria petrolífera estrangeira, um agente de informação de governos estrangeiros, uma ratazana esportista, um comensal da corrupção desses peixes graúdos da bandidagem, ou que você seja, como Darcy Ribeiro demonstrou, um dos tipos atávicos da classe dominante, que herdou a mentalidade escravocrata de seus antecessores & sequer considera um pobre como gente (são mais uma comodidade que se compra ou aluga), ou suponha que você seja um alpinista social sem escrúpulos mas cheio de plásticas na cara, & que gosta mesmo é de ostentar o que o vasto roubo do dinheiro público lhe facultou fazer bregamente na Europa & elsewhere.

Naturalmente, você ouve a palavra "História" com a mesma expressão de vacuidade boçal dos tais "canalhas, canalhas, canalhas" daquele dia fatídico. 

Seu pescoço estaria na corda SE você deixasse uma presidente honesta & que não faz acordo com ratos continuar no comando, como demonstraram as conversinhas instrutivas daqueles covardes se cagando todos nas gravações que vazaram, para, bizarramente (lembrem, é o Mundo Bizarro) efeito nenhum.

Aquela ameaça só teria efeito em pessoas honestas; e nós estamos falando do Senado brasileiro, cuja conta de 20 votos nos dá uma dimensão aproximada da honestidade encontrável naquela pocilga fedorenta.

E o dilema da boa ameaça da "lata de lixo da História" é que pessoas honestas não precisam ser ameaçadas, capisce? 

Elas dão seus 20 votos pela democracia voluntariamente.


QUASE DOIS ANOS

Sim, faz quase dois anos que o Demônio aqui teve de deixar de lado coisas melhores para tentar contribuir com a reversão do que se mostrou inevitável. Um escritor, na função de escritor, tem limites, que são os da conscientização: ela acontece ou não acontece.

Agradeço a todas as pessoas (amigas & amigos artistas incluídos, também), brasileiro(a)s & estrangeiro(a)s que em textos & nas ruas foram lutar contra esse retrocesso que viveremos: vocês não o merecem.

Mas agora é a ditaduraNão vão sair do poder que se esforçaram tanto para conseguir de modo ilegal, golpista, ilegítimo. Ninguém anuncia congelar gastos em educação & saúde por 20 anos se acha que ficará por aí por 2.

Lógica elementar, meu caro Watson.

Teremos de criar modos de lutar contra isso: luta nas ruas, luta na desobediência civil, derrubar o usurpador & as "forças ocultas" (dizia o Jânio Quadros a renunciar, mas agora as forças não são mais ocultas: em seu desespero por poder perdido, vieram diante dos holofotes mostrar a cara feia do Golpe).

Como cultura, arte & educação sofrerão junto com as pessoas que têm menos, o Demônio volta às suas funções iniciais, deixando esse longo testemunho de uma luta que não acabou, mas que deve ganhar agora outros contornos.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

OS PRELÚDIOS DE UMA GUERRA CIVIL

Quinto mês,
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer

A tropa de choque golpista, militar, ontem na Avenida Paulista,
atacando, com armas, manifestantes pacíficos contra o 
Golpe de Estado

Ontem, enquanto a presidente democraticamente eleita, Dilma Rousseff, fazia sua histórica defesa no Senado, em Brasília (já inocentada das acusações pelo Ministério Público & pela perícia do próprio Senado), manifestantes contra a sordidez do Golpe de Estado eram atacados em plena Avenida Paulista, em São Paulo, pela tropa de choque militar sob as ordens do lacaio local dos golpistas, & sobre isso apenas vou reproduzir um poema que escrevi em 2013, que já dizia tudo, & que fez parte da antologia Vinagre, este:

retrato de um governador

o governador acorda, bebe chumbo
e espalha pólvora no pão.
o governador obtura suas cáries com balas,
cobre as vítimas com o sudário
piedoso de um  cristo todo em sangue.

o governador é um ditador da lei do mais forte,
e tem cães de guarda que vestem farda
e não respondem à razão ou à justiça.
o governador enrola cobras nos microfones,
arranca olhos com mão em luva de pelica.

o governador quer a ordem dos corpos no chão
e  protege os eleitores de si mesmos.
o governador é um homem bom em casa,
mesa & banho. usa um rodo pro dinheiro,
e faz a ronda do complexo midiático.

o governador tem mãos em todos os bolsos,
em todos os coldres, e puxa gatilhos
com a língua. o governador sabe de cor
e salteado as cidades do estado.
ao governador falta um pouco de  telhado.

                            são paulo, 13 de junho de 2013

De resto, essa violência fascista não é nova: vem hoje, como ontem, da imundície da extrema direita, que, torpe, mais uma vez toma o país para assaltá-lo, plantando nele as ervas daninhas da covardia proverbial do interino convertido em ditador (oposta à coragem histórica da presidente democraticamente eleita) por um Golpe de Estado dado pelas forças conjuntas de uma parte do PMDB & de todo o PSDB, mais a corja fisiológica de sempre do bando restante de ratos da política brasileira, incluindo uns criminosos oriundos da ditadura militar, que já estão na mesa do ditador.

Para registro de quem  ainda não saiba, participaram deste Golpe substantivamente os seguintes veículos de mídia: as Organizações Globo, os jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, as revistas Veja, Isto É, & os maiores sites nacionais da internet. A FIESP faz parte integral & decidida deste Golpe de Estado, & todos esses estiveram, para que se lembre, ativos no Golpe Militar de 1964.

A dignidade, se se quiser procurá-la, acha-se sempre no mesmo lugar. Para lembrar disso, basta uma foto de ontem:

Chico Buarque chega ao lado de Lula para se solidarizar
com a presidente Dilma Rousseff: Buarque sempre uniu 
arte & ética.

Alguns vídeos de ontem, para marcar um dia histórico nesse processo vergonhoso que destrói ainda outra vez a democracia no país.

Glenn Greenwald fala, do Rio de Janeiro, 
ao Democracy Now

Perplexo, Greenwald explica para sua audiência nos EUA que um bando de ladrões & criminosos, interessados, aliás, no resultado, está incumbido de julgar uma presidente inocente das acusações que lhe fazem. 

O excelente & já histórico discurso da presidente Dilma Rousseff, na íntegra:


A defesa que fez, de si mesma, por quase 15h, absolutamente perfeita, repetiu o que se sabe, no Brasil & principalmente de modo público no exterior: que é inocente, vítima de golpe parlamentar como o descrevi acima.

O senador Lindbergh Farias teve a coragem de dizer o nível de sujeira, com todos os nomes, & lembrou que aquela farsa de julgamento é um "tribunal de exceção":


Lindbergh Farias: "Eu acuso".

Hoje, o senador Roberto Requião, o pouco (que é muito) restante do passado democrático do PMDB, disse claramente tudo. Repetimos março de 1964. 

Requião, nas caras duras de Anastasia & Neves, golpistas:
"Canalha, canalha, canalha".

Amanhã é provável que tenhamos implantada, no Brasil, uma nova ditadura. 

Hoje, novamente, na Avenida Paulista: o falso
argumento de senadores canalhas sobre "o que
as ruas querem". O que querem está bem aí.