segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A HISTÓRIA SE REPETE (1964-2016)

Quinto mês, 
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer

Dilma Rousseff, diante da antiga foto em que era 
questionada na ditadura militar.

Esta aqui, em que os corajosos militares  escondem 
a cara diante da garota que prenderam,
igual ao famosamente covarde interino.

"Não foge à luta", para lembrar àqueles que
gostam de patriotadas.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O KURUPIRA

Quinto mês,
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer



Como todos devem se lembrar, o Kurupira é uma criatura das selvas & florestas que os indígenas aterrorizados descreviam de modo peculiaríssimo, sobretudo por um detalhe: tem os pés voltados para trás, de modo que suas pegadas enganam quem adentra os bosques, & não sabe se está indo ou vindo.

Mas podemos pensar no Kurupira, esse ser fantástico, como uma metáfora para entendermos o Brasil dos nossos dias muy penosos; ou, vá lá, o Brasil desde que o Brasil é Brasil.

Não apenas temos um governo explicitamente, & aos olhos do mundo, golpista, mas também reencenamos, nisso, o hábito brasileiro do Golpe de Estado. O jornalista Emiliano José, da Caros Amigos, republicou o discurso de João Goulart, o Jango, na Central do Brasil, que poderia ter saído da pena de Dilma Rousseff: fora escrito em 1964, poucos dias antes dele mesmo sofrer o seu Golpe de Estado, & acusa os mesmos pontos que vemos hoje.

Goulart fala do desgosto dos mais ricos por um governo que atenda à vasta maioria de mais pobres; fala da entrega da Petrobrás ao capital estrangeiro; fala da mídia como instrumento principal na arregimentação do ódio; fala de como os golpistas chamam seu golpe de democracia; fala da repetitiva tática de conjurar a "ameaça comunista" do medo popular daquele inexistente bicho-papão.


Quem diria? Eleição direta voltou a ser subversão, como
era para O Globo durante a ditadura militar.


Mesma coisa, all over again.

Os atores dessa farsa que nunca foi tragédia são também os mesmos, & quem olhar para o centro desse furacão verá a Globo (que pediu desculpas bem tardias por lamber as botas dos generais em troca de favores), a revista Veja

E verá também um tipo muito comum nesses momentos: a mídia & os militares criam um herói fajuto, de tintas fascistas, & o propagandeiam para a sanha fascista das multidões que, como desconhecem aquela chatíssima matéria da escola cada vez pior das pernas, a História (a gente põe em maiúscula pra tentar dar uma força aí), desconhecem o elementar em ciências sociais, o equivalente, em matemática, do 2+2.

Ou perceberiam imediatamente o truque.

Collor de Mello já ocupou essa posição. Agora dêem uma espiada nestas imagens (advirto que podem ser gráficas demais & fortes demais para determinadas Constituições. Caueat emptor, como diz o sábio latinório):

Moro recebe prêmio de "faz diferença" de
João Roberto Marinho, da Globo.

Moro, cercado de militares, recebe a medalha
de "pacificador" do Exército.

Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras. Imagine duas. 

Os passos que damos para trás, à la Kurupira, não têm nem ao menos a dignidade do monstro que o fazia pelos próprios interesses: os passos atrás que o Brasil dá vão diretamente contra seus próprios interesses, fazem de nós uma caricatura ridícula de paiseco tocado por milicos & corruptos, produz estética má, feiúra grossa desses ternos horríveis & dessas fardas caretas.

Entra um governo ditatorial, corrupto, golpista & feito do pior que o Brasil já foi capaz de produzir, uma aberração sob quaisquer pontos de vista, um recado, para nós mesmos & para o mundo, de que não apenas não aprendemos, mas de que na verdade gostamos mesmo é do pior, gostamos mesmo é de quando um bando de velhos brancos & corruptos dão as ordens para os ricos ficarem mais ricos, os pobres, mais pobres.

Gostamos da nossa caricatura, queremos ardentemente voltar a ela.

Bom proveito: ela está de volta, com seus pés voltados para trás.

*

Em tempo: o senador  Caiado diz para o senador Lindbergh não "ficar cheirando". Há fotos.

"Lindbergh, não fica cheirando. 
Lindbergh?"

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

ARTISTAS & INTELECTUAIS ESTRANGEIROS SE OPÕEM À VERGONHA DO GOLPE CONTRA A DEMOCRACIA NO BRASIL

Quinto mês,
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer


Susan Sarandon, Viggo Mortensen, Noam Chomsky & Oliver Stone

Artistas e intelectuais apoiam a democracia no Brasil
Nos solidarizamos com nossos colegas artistas e com todos aqueles que lutam pela democracia e justiça em todo o Brasil.
Estamos preocupados com o impeachment de motivação política da presidenta, que instalou um governo provisório não eleito. A base jurídica para o impeachment em curso é amplamente questionável, e existem evidências convincentes demonstrando que os principais promotores da campanha do impeachment estão tentando remover a presidenta com o objetivo de parar investigações de corrupção nas quais eles próprios estão implicados.
Lamentamos que o governo interino no Brasil tenha substituído um ministério diversificado, dirigido pela primeira presidente mulher, por um ministério composto por homens brancos, em um país onde a maioria se identifica como negros ou pardos. Tal governo também eliminou o Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Visto que o Brasil é o quinto país mais populoso do mundo, esses acontecimentos são de grande importância para todos os que se preocupam com igualdade e direitos civis.
Esperamos que os senadores brasileiros respeitem o processo eleitoral de 2014, quando mais de 100 milhões de pessoas votaram. O Brasil emergiu de uma ditadura há apenas 30 anos, e esses eventos podem atrasar o progresso do país em termos de inclusão social e econômica por décadas. O Brasil é uma grande potência regional e tem a maior economia da América Latina. Se este ataque contra suas instituições democráticas for bem sucedido, ondas de choque negativas irão reverberar em toda a região.
Assinado:
Tariq Ali – Escritor, jornalista e cineasta
Harry Belafonte – Ativista, cantor e ator
Noam Chomsky – Professor emérito de Linguística no MIT, teórico e intelectual
Alan Cumming – Ator e autor
Frances de la Tour – Atriz
Deborah Eisenberg – Escritora, atriz e professora
Brian Eno – Compositor, cantor, artista visual e produtor
Eve Ensler – Dramaturga, autora de “Os Monólogos da Vagina”
Stephen Fry – Ator, diretor
Danny Glover – Ator e diretor de cinema
Daniel Hunt – Produtor musical e cineasta
Naomi Klein – Escritora e cineasta
Ken Loach – Cineasta
Tom Morello – Músico
Viggo Mortensen – Ator e músico
Michael Ondaatje – Novelista e poeta
Arundhati Roy – Autora e ativista
Susan Sarandon – Atriz
John Sayles – Roteirista, diretor e novelista
Wallace Shawn – Ator, dramaturgo e comediante
Oliver Stone – Cineasta
Vivienne Westwood – Estilista

terça-feira, 23 de agosto de 2016

ENFIM: MICHEL TEMER ATRÁS DAS GRADES

Quinto mês,
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer




"Não alimente os animais", 
diz a placa do zoológico

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

VOLDEMORT, POKEMON & OUTROS MONSTROS

Quinto mês,
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer
De mordomo de filme de terror a personagem principal

Um Golpe de Estado torna tudo mais esquisito. As pessoas neste país andam esquisitas, algumas irreconhecíveis. 

Já me disseram que isso é bom porque se trata de um bem objetivo quem-é-quem, mas estou desconfiado de que está bem pior que isso, de que algo esdrúxulo & além da explicação se passa. 

Kill the motherfucker

Vi uns tantos tontos caçando Pokemon na Avenida Paulista, em grandes bandos, como se o mundo (não só este tolo país) estivesse normal.

Ou mesmo que, estando normal, essa coisa de ser ativado por um aplicativo eletrônico completamente sem sentido & obedecer mecanicamente ao seu chamado mercadológico (com implicações, é claro, bem menos ingênuas), fizesse qualquer sentido. 

Eu quero dizer: QUALQUER sentido. 

A Avenida Paulista me lembrava cenas daquele filme com o Donald Sutherland, de 1978, Invasores de Corpos, no qual uns organismos alienígenas mínimos & gosmentos se apoderam dos corpos que daí agem em bando, maquinalmente, estando apagada a personalidade que existia lá.


A ditadura quer você

Não obstante, há um Golpe de Estado em andamento. 

Da última vez em que eu mesmo fui a um protesto (dia 9 de agosto deste ano do Senhor) havia por volta de mil pessoas aglomeradas no vão do MASP, pessoas conscientes que desceram a Rua Augusta em protesto pela volta da democracia.

Ahora bien: recentes esquisitices passam muito despercebidas, & a do estúpido Pokemon talvez nem seja a pior delas. Há uma que me chamou particular atenção.

Os ratos do Congresso marcaram uma data dentro de setembro para decidir se cassam ou não o mandato de Edu Cu, aquele que tem 200 congressistas no bolso (como se tem lido por aí, & eu creio que estão subestimando numericamente o bolso do salafrário), que tem contas na Suíça que não são dele (na opinião dele, não na da Suíça) & que é um dos maiores patifes provados do país desde a distante década de 1990, & mesmo antes.

Pois bem, não cassaram o supercriminoso, nem estão lá muito certos de que o devem cassar.


Senadores dizendo pro Golpe avançar, no dia 9 de agosto

Esta semana, por outro lado, o Senado não teve dúvidas de afastar uma presidente comprovadamente honesta, absolvida por perícia técnica do próprio Senado & pelo Ministério Público, & apoiada pelo mundo todo, afastamento injustificável que o nosso Senado limpinho (descontando-se uns 50 bilhões de reais) vai confirmar com gosto no fim de agosto.

Essa é uma BRUTA contradição que não vi ninguém ter a boa-vontade de apontar, ou mesmo se indignar contra, até porque é, eu diria, óbvio o que está acontecendo, desde que Romero Juquinha deu com a língua nos dentes: tiram Rousseff, que iria deixar todos os corruptos fritar, daí dá-se um jeito de inviabilizar Lula & anistia pra corja de canalhas.

Como estímulo à inteligência, façamos o seguinte joguinho, mais legal que o Pokemon Go: confiram as pessoas em posições-chave. Só tem PMDB & PSDB, além de siglas de aluguel dessas duas (a primeira continua sendo de aluguel da segunda).

Câmara, Senado, STF & até o juizinho camicia nera de aluguel de um daqueles partidos, & que ganhou "prêmio" (mais um incentivo) da TV Golpe.

Há muitas bundas em sofás, yo creo, para o meu gosto particularmente democrático. 


"Tá dominado, tá tudo dominado!"

Mas tem mais, natürlich.

Eu cresci ouvindo a música de Caetano Veloso. Não só: sabia da ligação dele com a poesia concreta, da importância do movimento tropicalista, do desafio dele às convenções do período com a guitarra elétrica dos Mutantes, que ele introduzia na música popular, do exílio, etc. Veloso escreveu um livro, Verdade Tropical, que, embora umbigocêntrico, fazia girar em torno daquele sol algumas importantes hipóteses tropicais.

É dele também aquele vídeo muy difundido no Youtube em que responde à burrice de alguém (Geraldo Mairinque) - que lhe perguntou uma estupidez sobre cultura de massas - malhando aquela burrice. 

Todo mundo ri, moi aussi, virou meme. 

Muito bem: ao saber que ele ia cantar lá debaixo do Temerária, daquele liliputiano que recebeu a maior vaia deste planeta mesmo se escondendo como o bom ratinho que é, imaginei que tinha se ferrado ao pôr sua cara feia lá, com Caetano no palco.


Uma coisa simples, que até o Cristo disse

"Caetano fará história, estará com uma camiseta 'Fora Temer'", pensei. 

A oportunidade era de ouro: a atenção de milhões de telespectadores do mundo todo sintonizada na festa executada primorosamente - não obstante breguíssima - da abertura das Olimpíadas (ó, tonitruante Zeus! jamais pensaste que verias tamanha falta de respeito sem fulminares uma cidade inteira).

É o tipo de coisa que poderia ser a virada geral nesta palhaçada, porque o liliputiano ditadorzinho covarde & cagão que temos proibiu todo mundo de se expressar, & Caetano, como sabemos, escreveu a proverbial "É proibido proibir" em, je pense, um outro mundo.



É proibido proibir, lema antigo & tão oportuno.

Mas nada: ele, a bela Anitta & seu companheiro Gilberto Gil foram cantores domesticados para a TV, & mandaram "Isto aqui o que é", de Ary Barroso, a velha ufanistada bobalhona sem nada que lembrasse o curto-circuito canibal da Tropicália, o que deixa também escancarada a questão daquela antiga ambiguidade de pop & popular que tentavam extrair dos meios de comunicação de massa, o que passou a ser mera subserviência naquela noite fatídica para Caetano Veloso & para o Brasil. 

Rigorosamente obedientes ao figurino anódino da besteira cosmética da TV para o acomodado da poltrona. Zero de arte, zero de desafio, zero de consciência política.

Depois circulou na internet uma foto de Caetano Veloso no backstage segurando um papel no qual se lia "Fora Temer". Mesmo? mauvaise conscience?

Bem, aí eu não entendi a lógica, se é que há alguma. Me escapa inteiramente.

Pensem comigo: caso você de fato queira aquele grosseiro anacronismo fora, você tem um palco & milhões de pessoas no mundo a quem mandar essa mensagem contundente, você tem o poder raro & EFETIVO de transformar. 

Imagine que você é um artista muitíssimo conhecido, sobretudo por não observar protocolos (ao menos no passado) que sirvam à conveniência das "pessoas na sala de jantar", como cantavam os Mutantes, que "são ocupadas em nascer & morrer" (mais em morrer do que em nascer, mas não vem ao caso, por ora).

Mas não, você fica quietinho, bem comportado & depois põe a fotinho para uns milhares ali na internet que casualmente vejam. As pessoas na sala de jantar que você distraiu com sua música sem efeito.


Não faz sentido: algo mudou no âmago do que era Caetano Veloso, & sequer estou discutindo os últimos 20 anos de sua carreira.

Mas há ainda mais bizarrias.

Cristovam Buarque, que parecia a um monte de gente, & durante anos, um sujeito interessado em dar um jeito na imbecilidade endêmica com que o Brasil trata a educação de seus infelizes cidadãos do andar de baixo; Buarque, com histórico de defesa da democracia; ele, agora senador, votou pela segunda vez a favor do Golpe, tapando os ouvidos até mesmo os olhos a uma carta de apelo de amigos & de pessoas que trabalharam com ele nesses anos.

Por favor, lembrem-se de que, votando assim, é como se ele dissesse que prefere aquele übercretino que puseram para balbuciar asneiras na mais alta posição do país sobre a educação, & cujo conselheiro nada extraordinário é o Alexandre Fralda, no meio confuso de cujos músculos não foi possível encontrar sequer vestígio de massa encefálica: perferir isso à democracia & a um governo que ao menos tem um mínimo de responsabilidade clara com a educação?



O governo das universidades federais, do ProUni? do Ciência sem Fronteiras? Etc.? Melhor o Fralda & o idiota que nem sabe que uma frase bocó achada na internet não é, como atribuiu, de Carlos Drummond de Andrade. Melhor?

"Posso, sem armas, revoltar-me?", queria ter ouvido esse verso dito pela Fernanda Montenegro & pela Judi Dench em "A Flor e a Náusea", esse sim do sr. Drummond de Andrade, que leram em versão castratto naquela noite de faz-de-conta das Olimpíadas.


"May I, unarmed, revolt myself?" 
Oh, wait a minute, this is Master William!

Quando disse a vocês que o Brasil era o Mundo Bizarro do Superman, geez!, eu não esperava que a coisa desandasse a esse nível para me provar certo de que tudo aqui está ficando torto além de qualquer possibilidade de reconhecimento.

Claro que sabemos que a história do "homem cordial" brasileiro, de Sérgio Buarque de Holanda, é uma expressão repetida sem muita consideração pelo uso que o criador do termo deu a ele em seu livro Raízes do Brasil, mas a violência totalmente hidrofóbica dos Integralistas da CBF atacando a atriz Letícia Sabatella, pedindo a volta da ditadura (vão conseguir no fim do mês) & cujo grande herói é o Bolsonóia, escapa completamente do roteiro de "Isto aqui o que é".

Vou te dizer isto aqui o que é: isto aqui é uma ditadura, como o vosso demônio vem dizendo & avisando há meses pra dar tempo de reagir. Nem Bernie Sanders, que ficou próximo de disputar a Casa Branca com, ugh, Trump, deixou de tocar no assunto do Golpe no Brasil.

“O esforço para remover a Presidente Rousseff não é um julgamento legal, mas, na verdade, político. Os Estados Unidos não podem ficar em silêncio enquanto as instituições democráticas de um de nossos mais importantes aliados são sabotadas. Nós precisamos nos manifestar pelas famílias trabalhadoras do Brasil e exigir que essa disputa seja resolvida em eleições democráticas”, escreveu em sua página do Senado estadunidense


Sanders, publicamente contra o Golpe de Estado no Brasil

Mas honestamente acho que agora já era, pessoal. 

Eu realmente acho que entramos com os dois pés em mais uma ditadura para ferrar com o país por, pelo menos, dez anos. Mas não sou eu quem vai jogar a toalha: o vosso demônio talvez agora apenas peça que vocês, brasileiros, tentem lembrar do que queriam em primeiro lugar.

Que tentem lembrar de que queríamos aqui uma civilização diferente, uma nova experiência que pudesse trazer à tona o melhor deste lugar tão diversificado, tão amplo, tão diferente de Europa & até mesmo dos vizinhos com quem partilhamos tanta coisa. 

Porque estamos indo parar beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem longe disso: estamos virando um clichê de país de quinta categoria, que apela para a ruptura com o Estado de Direito toda vez que a Casa Grande acha que a Senzala está prestes a virar Quilombo.



E porque algumas pessoas deveriam, neste momento em particular, delicadíssimo, mostrar o tipo de consistência histórica que Chico Buarque demonstra sempre.

Ele não foi cantar naquela festa cara, cheia de cores & de uma cafonice de doer. Não: dois dias antes, lá estava ele com o povo da ocupação & cantava "Apesar de você".

Apesar de quem? - a censura ditatorial está comendo solta, o que diremos sem que alguém venha prender a gente? - de você sabe quem, como dizem os personagens de Harry Potter sobre aquele desgraçado do Voldemort, que dá um puta trabalho, ferra com Hogwarts, mata umas tantas pessoas, mas acaba indo pro saco no fim.


Não se trata de mera semelhança, como vocês vêem

Ou seja, trocando em miúdos: pode demorar, mas o Micharia Temerária não perde por esperar.


Ontem é hoje

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

MAIS DA METADE DO POVO BRASILEIRO NÃO QUER O GOLPE, PERDÃO, O "IMPEACHMENT"


Quinto mês,
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer

Não te mostraram as multidões que saíram no domingo, no
Brasil todo, contra o Golpe. Na foto, o senador Lindbergh
Farias diz: "A Globo levou quase 50 anos para pedir desculpa
pelo golpe de 64; quantos anos vão levar para pedir desculpa
por mais esse?"

A pesquisa do Ipsos, publicada há dias no jornal Valor Econômico, mostra números que batem com a realidade observada nas ruas no último fim de semana: as maninfestações de Integralistas da CBF foram de uns gatos pingados (em São Paulo mal juntaram 4 mil hidrófobos), enquanto a marcha Antigolpe que começou no Largo da Batata e foi até a Praça Panamericana tinha mais de 60.000 pessoas (mais do que marcha semelhante, meses atrás, que foi às portas da mansão do golpista & teve 50.000).

Lá estavam Guilherme Boulos, Eduardo Suplicy, Luíza Erundina, Ivan Valente, Lindbergh Farias, as lideranças estudantis da UNE & da UBES (Carina Vitral & Camila Lanes) & lideranças de movimentos sociais, na maior adesão desses movimentos desde o começo do Golpe.

Assim como aconteceu com o movimento pelas Diretas Já!, jornais e TV golpistas fingiram que não houve nada, ou disseram, sem mostrar imagens, que o movimento contra o Golpe se acha  "reduzido". A TV Golpe, como todos sabem, falava das Diretas Já!, que lotavam lugares históricos de reivindicações sociais, dizendo "e houve um comício no centro".

Eis aí um modo de se usar o termômetro do Golpe: quando se acumulam as mentiras públicas, você pode ter a certeza de que de que algo não-democrático está em processo.

O senador Anestesiado continua a mentir, usando, é claro, o bom óleo de peroba que mostrei abaixo, direto do estoque da Folha, na cara dura: o ex-presidente Lula disse recentemente que os senadores deveriam lembrar que seu julgamento como golpistas no futuro não será somente político e histórico, mas haverá netos perguntando: "Vovô, o senhor foi golpista?".

O problema é que esses caras não estão nem aí com isso. Eles têm o pescoço arriscado & o rabo preso com um time da pesada. O rico dinheirinho - aquele saído dos cofres públicos & do seu bolso pro deles - está nessa encrenca. E Temerária, o liliputiano que foi cagado do ânus da ditadura militar, está soltando bilhões para comprar o seu troninho de ditadorzinho inelegível.

A expressão "sem-vergonha" existe porque existem tipos como o senador Anestesiado, capacho de golpistas sem-vergonha & golpista ele-mesmo, sem vergonha nenhuma. Está sob as ordens de Nariz Nevado, Temerária & Edu Cu, & segue o roteiro. 

Mas voltemos aos números de uma pesquisa Ipsos, não-fraudulenta, para entendermos ainda melhor a baixeza dos ratos do Golpe, que inclui políticos, juízes, empresários & aparato midiático. 

O Golpe, que já teve apoio de 63% dos brasileiros chega a 48%, apenas (& caindo). O golpista tem rejeição de 68% da população; 20% querem Rousseff de volta & 52% querem novas eleições. 

Juntando os que querem Rousseff de volta & os que querem novas eleições você tem 72% contra o golpista infecto.

72% contra o Golpe. Nem 30% a favor. 

SE, como diz o enorme bando de canalhas no Congresso, estão fazendo o que fazem por dar ouvido ao "povo" (eles têm um mecanismo seletivo pra dizer o que é povo, dependendo do interesse), o golpista deveria cair fora, Rousseff deveria ter restituído o seu mandato legítimo & convocaria novas eleições.

É isso o que o "povo quer", traduzindo pra quem não entendeu.

Vão fazer o que "o povo quer"? 

Não, porque a idéia que eles têm de povo só se aplica àqueles hidrófobos que, neste fim de semana, em Curitiba, atacaram a atriz Letícia Sabatella por ela ser antigolpe. Um dos ratos diz para a câmera do celular da atriz, sem o menor receio: "Puta". O pai desse rato é um corrupto notório, apenas para lembrarmos de que não há ponto sem nó.

Sabatella, a El País: "No Brasil hoje há um
desejo de morte, de aniquilação".

O povo. 

O mesmo "povo" - incluindo os ricos tipinhos com programas de explorar pobre por audiência na TV Golpe - que despejou ofensas misóginas sobre Rousseff durante a Copa, em 2014, o que fez Barbara Gancia dizer, quando ainda tinha sua coluna na Folha, que se esses eram os que queriam o poder no lugar de Rousseff, é melhor que ficassem bem longe dele.

(Fomentar o ódio: a TV Golpe & o resto do aparato golpista de mídia estão ativamente fazendo isso por anos).

Infelizmente, são eles, os corruptos & corruptores, os racistas, os misóginos, os assassinos & suas corjas de asseclas os que tomaram o poder com uma farsa jurídica paga por polítcos & empresários, & propagandeada pela mídia.

Anunciei há tempos a ditadura: ela entra oficialmente em efeito no final de mais um agosto de Golpe de Estado no Brasil, depois de Vargas & Goulart. 

Nesta nossa Waste Land chamada Brasil, August, e não April,  is the cruellest month

*

No mundo a situação não vai melhor, & não por acaso: antes, aqui mesmo no Demônio, sugeri à leitora & ao leitor que considerem a hipótese coordenada da ação, porque supor que uma onda de ódio de extrema-direita à la anos 1930 seja só uma coincidência no mundo todo é uma de duas: ou crassa estupidez, ou não menos crassa ingenuidade. 

O segredo da extrema-direita é explorar o ódio, como temos visto, & o ódio surge do medo, como ensina Mestre Yoda. E daí temos Trump.

O que me lembrou uma velha história de Stephen King que virou um filme excelente nas mãos de David Cronenberg, The Dead Zone (1983), que tem o título brasileiro de A Hora da Zona Morta.  

É realmente uma droga ver o futuro antes, sr. Walken

O personagem de Christopher Walken ganha, após um acidente, a capacidade de prever o futuro a partir das pessoas em quem toca. E ele toca um candidato a presidente muy carismático, vivido por Martin Sheen, que vencerá as eleições. É um tipo populista de direita, que intimida por violência, um tipo muito comum no mundo todo hoje, velha moda posta de novo nas vitrines políticas, como sabemos bem.

O pobre Walken vê o psicopata, resultado do fomento do ódio, preparando o Armageddon nuclear.

"Os mísseis já estão no ar, Aleluia"

Preparem-se, um longo inv(f)erno se aproxima.

**
Edson Secco & Ligiana Costa, o NU

O duo NU (Naked Universe), formado por Ligiana Costa & Edson Secco (de que falarei mais em uma outra postagem), acaba de lançar, com a Mídia Ninja, o clipe "De Uma Delas", que toma o Golpe contra Dilma Rousseff dentro de um espectro mais amplo de significação. 

“Frente ao golpe que sofremos veio a necessidade de escrevermos algo a partir da visão das mulheres, que do ponto de vista simbólico são as mais afetadas, pois sabemos o quão machista esse golpe é: afastou a Dilma e na sequência formou um governo sem mulheres e sem minorias. Vimos a urgência de nos posicionarmos”, como disse LC à Rede Brasil Atual.

A ótima "De Uma Delas", abaixo:

"O velho, o macho, o branco, o cu e a mídia compra
tua família e a bandeira brasileira"

***


Querem notícia & não manipulação midiática?

Dêem as boas-vindas a The Intercept Brasil, que o jornalista estadunidense Glenn Greenwald, morador do Rio de Janeiro, acaba de lançar, & vem se juntar aos poucos sites e blogs jornalísticos brasileiros livres de farsa midiática. 

Façam sua visita aqui:


Greenwald, um jornalista de verdade, & sem medo.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A MENTIRA DA FOLHA DE SÃO PAULO, PARA DAR FORÇA AO GOLPE

Quarto mês,
Ano I do Golpe de Estado: ditadura de Michel Temer



No domingo alguém na Folha 
gastou o estoque inteiro disso na cara


No dia 17 deste mês, mesmo sem ter prova documental, o vosso Demônio obviamente sabia que os números do Datafalha de domingo eram um conto da carochinha, & o vosso Demônio o disse.

A porteira logo depois foi aberta pelo artigo desse jornalista extraordinário, Glenn Greenwald, a quem deveremos a coragem, o tino exato & o compromisso sério com a democracia do Brasil, que, embora não tenha nascido aqui, respeita muito mais do que muitos brasileiros.

Como pus no adendo do dia 19, Greenwald e Erick Dau, do Intercept, chamavam diretamente "fraude" o episódio constrangedor desse jornaleco que de grande tem só a malandragem. Agora, com as novas informações ainda mais chocantes descobertas pela apuração do site Tijolaço (feita por Fernando Brito, com colaboração de Letícia Sallorenzo), publica uma nova reportagem  que demonstra a inversão completa do que os dados da Folha apresentaram.

Ou seja, a Folha determinou a inversão completa do que a pesquisa encontrara. Dêem uma espiada no horror:


Impossível superestimar o significado nefasto do que isso implica: compromisso direto, do jornal, com o Golpe de Estado que está se dando no país, até para derrubar qualquer linha de decência jornalística em favor dessa abominação.

Nem faz muito tempo, Tavinho, o Filho do antigo dono, levava uma porrada na orelha de Sue Branford em Londres, que ela acusava já a grande mídia no Brasil de ser claramente pró-Golpe, antidemocrática, manipuladora - coisa refletida, aliás, nos números do rebaixamento do Brasil em liberdade de imprensa, pela ONG Repórteres sem Fonteiras.

Tavinho se irritou, chamou a jornalista de "petista" (ser pela democracia & pela honestidade da imprensa é ser petista? Na Inglaterra? Tavinho está fazendo parecer que ser petista é muito melhor do que deve realmente ser), & disse que seria impossível manipular o público, que isso era uma fantasia.

Gostaria agora que explicasse o que foi que seu jornal fez no domingo. Digamos, que nome ele daria para isso? O jornal tentou fazer o quê? Eu tenho uma sugestão, mas talvez o nome que eu dê a isso seja muito parecido com o que Branford tem para essa prática.

Pensando em comprar galões de óleo de peroba & enviar para a Folha: devem ter gasto o estoque deles todo nesse domingo. E vão precisar de mais até a votação do Golpe no Senado.