sexta-feira, 25 de setembro de 2009

CEFALÓPODE



leio que o polvo gigante é silencioso,
fluindo sem ossos em noite profunda;
sem corpo: cabeça e tentáculos só.
hectocótilo, o seu sexo imóvel;
& comer, um plano de lentas ventosas:
alcança, então prende, consome e se move.
produz uma tinta e escreve com ela
arabescos ilegíveis no oceano,
água que os esquece quando estão impressos
[se diz: rapida scribere oportet aqua]
na melancólica tinta que o camufla.
também os zoólogos comem sua carne?
— imenso, mas sem corpo, o mole covarde
escreve apenas quando foge ao que não sabe.
pegajoso, e o que expele suja o azul.


(poema inédito, do novo livro ainda sem nome nem data)

11 comentários:

gilson figueiredo disse...

é bonito & sujo.

domeneck disse...

Muito bom, Villa.

Beijo.

Neuzza Pinhero disse...

o silêncio fica maior, a solidão
cria tentáculos de longo alcance
e nos carrega lentamente aos abismos de nós mesmos;um jato escuro e...mais nada.

Neuzza Pinhero disse...

o silêncio fica maior, a solidão
cria tentáculos de longo alcance
e nos carrega lentamente aos abismos de nós mesmos;um jato escuro e...mais nada.

Bazárov disse...

Olá, Dirceu!

Polvo de tentáculos liquefeitos, o povo de muitos tentáculos e sustentáculos. Povo polvo acéfalo, à espera do Leviatã, o líder. A palavra não se cala.

Belo poema cinético!

E eis que me apresento: Flávio Ricardo Bazárovitch, sobrevivente subterrâneo do Subsolo das Memórias: www.subsolodasmemorias.blogspot.com.

Mantenhamos contato, Dirceu. Eis o meu email: within_emdevir@yahoo.com.br . Me mande o seu.

Um abraço, prazer em "conhecê-lo",

Flávio Ricardo Bazárovitch

ana rüsche disse...

dirceu!

gostei, sabia? e está uma outra coisa sim do comedor de amarelos. e bem villesco.

beijo

Dirceu Villa disse...

A thing of beauty is a joy forever, dizia o outro.

É justo & verdadeiro. E daí ficamos muito felizes que a poesia, ou a idéia de poesia, seja isso & mais um monte de outras coisas igualmente importantes.

Hopkins & a idéia de inscape estão entre as verdades essenciais dessa história, assim como as artes da memória (velhas mas novíssimas): a palavra como coisa, lugar, mente, ou projeção do campo imaginativo na realidade.

Sempre em expansão, quando o uso é constante.

Or so we hope, puny humans as we are.

Grazie.

D.

Flávia disse...

Fascinante te ter ontem na aula da Profa. Neide!
Obrigada...
bjo

Dirceu Villa disse...

Obrigado, Flávia.

Fui um prazer falar a vocês, ontem.

Beijo,

D.

Ivan disse...

Mas é muito bom!

Angélica Freitas disse...

lindo.