quarta-feira, 28 de março de 2018

O MECANISMO FASCISTA

Vigésimo-quarto mês, 
Ano III do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer

Zé Padilha logo terá seu mundo policial ideal instalado,
& nós já o conhecemos daquele livro do Orwell, 1984.

Sobre O Mecanismo, da Netflix, há umas coisinhas a dizer.

Hoje, o Brasil é um país fascista.

O fascismo funciona à base de propaganda & violência. Para existir, precisa arregimentar os preconceitos mais profundos de uma população & criar uma virtualidade geral do medo, seja o medo de perder emprego, medo do estrangeiro, medo de pandemias, medo da diferença, medo da violência urbana, etc. 

A partir desse medo, provocar a violência da reação cega das multidões.

O fascismo precisa, fundamentalmente, de um pensamento único & não muito elaborado: o ódio coletivo serve a criar esse pensamento único, & o medo serve a coibir qualquer elaboração inteligente, porque se houver elaboração inteligente lá se foi o controle fascista sobre as massas.

O Mecanismo, peça de propaganda da extrema-direita no país, estimulado & acolhido pela Netflix, mostra precisamente como é que se faz. Note-se, também, o timing exato: o caso de Lula no STF, o reforço do juizinho camicia nera de voz fina no Roda Viva & as espantosas milícias fascistas no sul atacando com armas de fogo & pedras a caravana de Lula, ferindo gravemente muitas pessoas, sob a conivência da polícia local.


"Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer
delação". Na próxima temporada o Lula vai dizer
essa frase também. Justiça é pra todo mundo, 
não é, juiz?

O fascismo, como já vimos antes no século XX, é bastante organizado, policialesco, militarista & maciçamente propagandístico: depende efetivamente de cada um desses itens.

Padilha, o diretor do seriado da Netflix, é um caso curioso: quando apareceu nos radares foi com o filme Tropa de Elite (2007). Não assisti no cinema, porque aquilo, pelos trailers, me parecia uma coisa funesta. Assisti, depois, por insistência de amigos que gostavam do filme.

Minhas impressões se confirmaram. Terminei de ver e pensei: "quem fez isso é um fascista". Mesmo amigos & amigas, gente que tem noção das coisas, não concordavam comigo, mas eu não tinha dúvida alguma & onde se discutia o assunto sempre dizia: "esse cara é de direita, & de uma direita perigosa, particularmente perversa".

Hoje, é claro, não resta mais dúvida alguma de que tinha razão, & ninguém mais vem discutir o caso comigo.

Tropa de Elite já trazia os elementos que se tornaram caricatos em O Mecanismo: personagens que discursam ideologia sequer como personagens, mas como sucursais da opinião do diretor, de modo panfletário & explícito; inversão voluntária de causas & conseqüências; uma apelação sentimental à figura da família de papai & mamãe; a defesa nada dissimulada de uma ordem policialesca, montando como heróis figuras violentas & "impolutas" (condenar ficcionalmente os policiais corruptos é apenas um truque para mostrar que separa o joio do trigo, mesmo truque agora em dizer, falsamente, que condena corrupção dos dois lados, esquerda & direita).

O que chamam de qualidade no que Padilha fez & faz é a cópia do estilo de ação dos filmes estadunidenses, & daí já se vê que a idéia de qualidade de quem diz uma coisa dessas é bastante acabrunhante.


As pataquadas que o Padilha imita de Hollywood já foram zoadas 
pelo ótimo Edgar Wright com os impagáveis Simon Pegg & Nick Frost.

Serviu, naturalmente, para que Padilha tentasse a sorte em Hollywood em 2014, fazendo uma refilmagem de Robocop (1987), a obra-prima original de Paul Verhoeven. A refilmagem foi tão absurdamente ruim (mesmo com alguns dos maiores atores de Hollywood no elenco: Samuel Jackson, Gary Oldman, Jennifer Ehle, Michael Keaton, Abbie Cornish & até o chato famoso do Jay Baruchel) que matou a pretensão de carreira hollywoodiana de Padilha ali mesmo.



Mas Padilha voltaria ao seu estado policial com Narcos (2015), seriado que faz o esquemão convencional de "guerra às drogas" com todos os previsíveis clichês, aproveitando-se de dois grandes atores, basicamente, Wagner Moura & Pedro Pascal, em papéis carismáticos.

Qualquer um que, futuramente (agora é impossível, numa era fascista ninguém pensa), dê uma espiada na carreira do diretor notará que as comparações que voam por aí com Goebbels não são inteiramente fortuitas: desde o começo o esquema de Padilha foi o da propaganda, mais ou menos explícita, de um estado policial, de converter a má leitura da realidade em causa de medo & o medo em combustível para a violência como solução.
Parece que vai ter disputa pelo título.

Poderíamos até imaginar que isso se deve à própria inanição mental de Padilha, que estaria, talvez, impossibilitado de ver através da espessa nuvem de preconceitos que obscurecem sua capacidade de pensar com alguma qualidade, mas um aspecto no novo seriado chama a atenção & contraria essa hipótese:

pôr na boca de sua caricatura ruim de Lula o que disse Jucá foi cálculo.

O tendão de Aquiles do Golpe continua sendo a famosa gravação onde Jucá & Machado, da Transpetro, detalham exatamente como o Golpe ia se dar, como pôr Michel Temer no troninho seria um acordo com tudo (incluindo Exército & STF) para "estancar a sangria". 




A sangria a que se referiam na gravação (memória & história, para evitar que malandros falseiem a coisa) era a prisão de corruptos graúdos, que Dilma Rousseff, então presidente, permitia que ocorresse sem interrupção ou intervenção indevida de seu poder.

OU SEJA, se alguém REALMENTE estava preocupado com corrupção de político, cometer o Golpe de Estado para derrubar Dilma Rousseff foi estúpido, que, além de honesta elle-même, era Rousseff quem fazia a sangria nos grandes corruptos, que queriam derrubá-la precisamente por esse motivo.

Agora, notícia de ontem, fresquinha: o STF acaba de rejeitar a denúncia contra Jucá. 

Estancou a sangria, né? Estancou bonito. 

Ahora bien.

APENAS uma peça de propaganda que criasse uma nova verdade, no lugar da verdade desagradável, poderia lavar a mente (como a Lava Jato faz, já pelo nome, & a Rede Golpe tem feito) do público que, aliás, nem presta muita atenção a qualquer coisa que venha a perturbar a história oficial, porque está muito distraído com novelas, futebol & Jornal Nazional.

Ao dizer que Jucá não patenteou a frase usada, permitindo transferi-la para Lula, Padilha sabe o que está fazendo sob a farsa da sua "licença criativa": está reescrevendo a história pelo avesso, dando à vítima o discurso do algoz. É uma operação ideológica conhecida como a "mentira hitleriana", que era, é claro, um dos recursos mais prestigiosos do mecanismo de propaganda nazista de Goebbels.

A sem-vergonhice de dar a Lula a frase asquerosa de Jucá é uma inversão completa, voluntária & com objetivo.

O nível de seriedade do ato não passaria despercebido a ninguém, nem mesmo a Padilha, ainda que Padilha fosse um completo quadrúpede: ele sabe o que está fazendo & o que fez foi com o cálculo sórdido do "efeito manada", que um de seus comparsas no Golpe, um dos Marinho, teria dito antes a Dilma Rousseff sobre a impossibilidade de reverter o efeito da avalanche de mentiras na população.

O "efeito manada", ou hive mind, ou herd behaviour. A massa de manobra, o público-alvo de O Mecanismo.



O Mecanismo, em ação. Faz o filme, Padilha!

O timing de lançamento do seriado de panfleto fascista também não deixa dúvidas: o objetivo é, em primeiro lugar, a prisão política de Lula pela desqualificação de sua pessoa pública, como a mídia vem fazendo há anos & tem o reforço final agora no episódio do habeas corpus no STF; em segundo lugar, a contínua instauração, cada vez mais passiva, de um estado policial, como o que se observa no Rio com Interventor Militar & que já tem mais de uma tragédia nesse período; &, por fim, influenciar definitivamente no resultado do que quer que seja a, ah-ham, "eleição" no fim deste ano.

A Netflix não é desinteressada nisso, mesmo que a matriz tenha incorporado ao seu catálogo a série inglesa que é o contrário de O Mecanismo, Black Mirror; porque enquanto Padilha repete seu corolário de falsidades & fascismo, Black Mirror adverte precisamente contra o acirrar dessas visões de pesadelo oferecidas como a solução de extrema-direita para o mundo. 


Quer entender o mundo de hoje? Assiste Black Mirror
& não a Lava Jato mental do Padilha.


Black Mirror é o antídoto contra O Mecanismo.

Aceitando o seriado brasileiro, tecnicamente ruim, histórica & voluntariamente falso, & ideologicamente fascista, a Netflix no Brasil mostra a que vem: repetir o que a Rede Golpe faz desde que foi criada, i.e., veicular propaganda de extrema-direita, controlar as mentes aproveitando momentos de fragilidade, medo coletivo & ódio social, dirigidos para efeito político. 


Olha só a gente de bem da Alemanha de ontem: já é
quase o Brasil de hoje. Amanhã a gente vai achar algum
deles pra perguntar como é que entraram nessa? Acho que não.

O timing do Padilha é perfeito, como disse: intervenção militar trágica no Rio de Janeiro, execução de Marielle Franco, milícias fascistas com armas de fogo atacando a caravana de Lula no sul, Bolsonóia & seus capangas se assanhando.

O que se fez contra Lula, com tiros, é o que se chama "atentado político". O que Padilha fez com Lula & Dilma tem o mesmíssimo nome. 

Muita gente, bem cara de pau & bancando a santinha, depois vem te perguntar: "Nossa, mas como pode acontecer um negócio que nem o nazismo? Que horror!".

Resposta: olha pra sua cara no espelho. Todo mundo agora acha legal ser o fascista da hora, zombar de assassinato de defensora de Direitos Humanos, de defender o uso de bala & chicote contra adversários políticos, de casuísmo para efetuar prisão política, de assistir a seriado panfleto para a propaganda de bandidagem fantasiada de justiça, enquanto juizinho encomendado por serviço de inteligência alheio é "convidado" por programa de entrevistas.

Não há pressa. A gente conversa depois que a sua sede de sangue passar.  

E quem está surpreso?

Eu, que há 3 anos venho advertindo aqui que esse era o caminho tomado, não: o mecanismo estava claro para mim, como está ainda mais claro agora.

quinta-feira, 15 de março de 2018

COMEÇOU

Vigésimo-quarto mês,
Ano III do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer

Marielle Franco 
(1979-2018)

Quando o Golpe de Estado completa dois anos nesta ditadura & já asfixia o Rio de Janeiro com intervenção militar, a execução da jovem socióloga, ativista de Direitos Humanos, militante feminista & vereadora do PSOL, quando monitorava & denunciava a ação militar no estado, mostra, enfim, para quem não vira ainda no Golpe contra Dilma Rousseff, na perseguição política & falsamente jurídica contra Lula & na morte de Teori Zavascki, as presas afiadas do novo regime.

O Brasil está morto. O Estado de Direito, aqui, está morto. Jornalistas, artistas & ativistas já pregavam, há muito, por atos de explícita desobediência civil. Nada, que não seja isso, poderá devolver ao país sua soberania, sua civilidade, sua chance de autodeterminação democrática, que se conquistou por preço tão caro, & há tão pouco tempo, & que perdemos num momento abominável, em mais uma mancha perversa na nossa História.

A execução fascista, a que hoje assistimos horrorizados, de uma das figuras mais vivas, vibrantes, inteligentes & comprometidas com o bem público, traz ainda outra lembrança horripilante do passado de volta & é, ao menos para mim, o mais trágico & final sinal vermelho. Vermelho de sangue nas mãos do Golpe, da ditadura, da intervenção militar.

Isso precisa acabar agora. 

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

INTERVENTOR MILITAR NO RIO DE JANEIRO

Vigésimo-terceiro mês,
Ano III do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer


Igual a 1964. Mas ninguém vai derrubar o governo:
vai ficar só olhando & deixando acontecer.


SE o Brasil fosse um país civilizado & democrático, bastaria o título desta minha postagem para que começasse uma revolução que fosse a Brasília & chutasse a gangue de usurpadores do poder.

Porque o título da minha postagem soaria como o mais pavoroso filme de horror, & teria mesmo um gosto muy amargo de déjà-vu.

MAS estando as coisas como estão no nosso Planeta Fascista, 80% da população está achando é bom, até porque a máquina de hipnose da TV Golpe já deu o aval para a dominação milica.

"O Rio de Janeiro continua lindo". 

Eu, que adoro o Rio, & que costumo cantar essa canção do Gilberto Gil com gosto, sabendo que é sempre uma verdade, começo a sentir um travo na letra. E me parece ademais óbvio que isso não vai se restringir ao Rio.

Já podemos começar a repetir a linha do capitão Kurtz? Eu acho que sim, até porque este AINDA não é o fundo do poço. Se preparem.

The horror, the horror, the horror.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

CAMPANHA DE DIFAMAÇÃO, NÃO UM JULGAMENTO

Vigésimo-segundo mês,
Ano III do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer


Em Porto Alegre, tudo preparado no TRF-4 
para o "julgamento" de Lula


Lula será condenado, hoje.

Mais uma previsão gratuita, feita pelo Demônio Amarelo, das muitas previsões impecáveis que saíram da minha famosa bola de cristal, desde antes do Golpe de Estado de 2016.

"Como você sabe, Dirceu?"

Devo confessar que o sei por motivos muito menos do que místicos, extremamente banais & fáceis de se observar.

1) Não se dá um Golpe de Estado para se ficar no poder por 2 anos. Um dos primeiros gestos do liliputiano golpista foi o de congelar gastos sociais em 20 anos. Aí está a quantidade de tempo que decidiram para sequestrar o país das mãos de seu povo: 20 anos;

2) Lula é a maior liderança popular do Brasil, comanda um poder de voto inédito (teve aprovação popular de 80%) & realiza as políticas que foram revertidas com pressa pelo golpista covarde & sua gangue no congresso, na mídia & no judiciário. Precisam excluir Lula da jogada, para que ele não volte: se deixarem que concorra, ele vencerá;

3) Os, ah-ham, juízes. Basta ver as opiniões (ou convicções) deles, todos muito cheios delas;

4) Na hipótese mirífica de que deixassem Lula livre para concorrer a presidente, precisariam reitirar o poder de suas mãos depois, o que só poderia ocorrer em uma de duas maneiras: a) transformar o Brasil em uma república semi-presidencialista, ou b) usar a solução final que já usaram em relação a outros indesejáveis, até bem recentemente, quando, por exemplo, voavam por aí.

A hipótese a) dá trabalho & deixa as marcas da ingerência evidentes; a hipótese b) foi usada na Operação Condor, por exemplo (aos muito jovens: pesquisem "Operação Condor"), &, por mais disfarçada que seja depois por investigações inconclusivas, deixa aberta a porta da História, de onde sempre vem gente para apontar quem fez o quê & com que interesse.

O processo mais indolor é o de pegar a convicção do juizinho camicia nera de voz fraquinha (& idéias de mesma espécie) & ratificá-la, mesmo com a prova ausente, já que a penhora do triplex, determinada pela juíza Luciana Correa Tôrres de Oliveira, para pagar dívida com os credores da OAS, prova que o triplex  - de resto medíocre, que Lula se quisesse teria comprado com uma mínima fração do dinheiro recebido em uma de suas muitas palestras ao redor do mundo - é de propriedade da OAS, & não de Lula.

Ou melhor: a prova não está ausente: a prova é, aliás, escancarada & escandalosa, de sua inocência. Em qualquer país com um mínimo de civilização (& já isto nos diz que não estamos falando do Brasil), o julgamento teria sido encerrado, & os juízes (hehe) estariam investigando malas recheadas de dinheiro de propina de verdade, gravações de corrupção passiva & ativa, máquinas voadoras pesadonas de cocaína & mesmo ameaças de morte, de gente de outros partidos, os blindados do Golpe.

Mas os motivos, vous savez, são políticos, então a farsa continua com o palavreado fantasioso da truma de Sonserina em Porto Alegre.

Ontem, as multidões nas ruas de Porto Alegre:
uma cena muito diferente daquela das tropas sombrias de Sonserina.


Lula será condenado.

E o Brasil aguarda a força de uma revolução para voltar a ser o Brasil. Até então, será o condomínio da gangue que infestou o poder político, midiático & jurídico.

Apertem os cintos, portanto, vem aí mais miséria & mais horror público.

Mais uma previsão para vocês, facilmente cumprível & verificável.

Bom dia, & boa sorte (vamos precisar).

PS para registro:

Noam Chomsky (o grande linguísta & teórico político):


Geoffrey Robertson (um dos maiores advogados de direitos humanos do mundo):



Luigi Ferrajoli (um dos maiores juristas deste planeta azul):


E, abaixo, o manifesto na Change.org, "Eleição sem Lula é fraude", assinado por, entre outros, Chico Buarque, Adolfo Perez Esquivel (Nobel da Paz), Constantin Costa-Gavras (o grande cineasta grego de Z & Missing, ambos sobre violências políticas), José Celso Martinez Corrêa, José Pepe Mujica (ex-presidente do Uruguai),  Massimo D'Alema (ex-primeiro-ministro da Iália), Marieta Severo, Miguel de Sousa Tavares (jornalista e escritor português), Milton Hatoum, Oliver Stone (cineasta estadunidense), Peter Burke (Historiador do Reino Unido), João Adolfo Hansen, Raduan Nassar, Pilar del Rio Sánchez (escritora, presidente da Fundação José Saramago), Hildegard Angel, Wagner Moura, Heidemarie Wieczorek-Zeul (ex-ministra da Cooperação para o Desenvolvimento da Alemanha), Beth Carvalho, Leonardo Boff, Guilherme Boulos, etc.

Assinaturas aqui:


PS2: a Band News deve também ter uma bola de cristal. Antes da votação começar, estampou o resultado de condenação "por unanimidade". A mídia perdeu por completo o pudor, junto com seus amiguinhos de outras esferas do poder político & judiciário, n'est-ce pas?


MATERIAL PARA LEITURA ATENTA & JÁ HISTÓRICA:

1) "Brazil's Democracy Pushed into the Abyss", texto de Mark Weisbrot no New York Times (23/01/2018):


2) "Por que eu não considero o julgamento de Lula justo", de João Filho, no Intercept (21/01/2018):





sábado, 4 de novembro de 2017

CAROLICE & CAFONICE GENERALIZADAS, A VOLTA DA "ARTE DEGENERADA" DOS NAZISTAS & OS CONSERVAS PERDENDO O POUCO QUE LHES RESTOU DE CABEÇA (QUE JÁ NÃO ERA MUITA)

Vigésimo mês,
Ano II do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer


Isso foi nos anos 1960, durante a ditadura civil/militar, 
mas podia ter sido ontem

As poucas pessoas sensatas que conheço estão horrorizadas agora com o avanço velocíssimo da censura a obras de arte, ao Queermuseu, à vinda de Judith Butler para bater um papo democraticamente com quem quiser, etc.; estão horrorizadas também com a demissão quase em massa de jornalistas, administradores culturais, professores, etc., além da perseguição a artistas, líderes populares, magistrados, etc., identificados ainda que de leve com um pensamento dito de centro-esquerda (sim, centro-esquerda, ou seja: pessoas perfeitamente decididas por um meio democrático de medidas negociadas com todos os setores da sociedade, sem rupturas traumáticas ou ideológicas).

Para se ver a GRAVIDADE da coisa.

A mim, não obstante, não me espanta nem um pouco: sinto que não poderia esperar diferente, sabendo o que sei. E o que sei é que nenhum Golpe de Estado se mantém no poder sem fazer seu país dar saltos violentos para trás em todas as áreas. 

Se a História ensina alguma coisa ao observador atento, é que sempre foi assim.

Então, não me espanta: desde 2015 sabia que um dia o esquema "arte degenerada" dos nazistas voltaria, & com toda a força. 


Entartete Kunst, ou "arte degenerada": quem diria?
Para alguns no Brasil (& lá fora), os bons 
tempos nazistas voltaram.

(A única sorte é que não haverá mais fogueira de livros. Não por algum bom motivo, mas porque ninguém lê mais, mesmo. Seria total perda de tempo queimar coisas que já não têm o mais remoto efeito na nossa sociedade de zumbis das máquinas).


Moralistas já queimaram livros bem antes ...


....& nazistas eram bons nisso também.

Os imorais no poder precisam da distração de que estão fazendo um serviço de moralização da sociedade, porque sabem que a população é muito suscetível ao argumento, basta ver o estrago que a palavrinha "corrupção" fez ao ser acionada, o mesmo efeito que certos comandos têm sobre uma matilha louca para matar. 

Porque o comando depende apenas de para onde o treinador da matilha aponta: a palavrinha de ordem é mero modo de ativar os bichos, como sabemos, porque ninguém está hoje incomodado com a verdadeira corrupção, que vive aí a solta numa boa destruindo o país: queriam só a desculpa sonora. 

Agora é dar ao público a resposta que sempre esperou à "pouca vergonha", no vocabulário encabulado do típico conserva, de hábitos mais quadrados do que os do seu tataravô quando era um nonagenário. 

Para sabermos que se trata do Brasil, a grande ironia de tudo isso fez com que um dos títeres do ataque à pouca vergonha seja um ex-ator pornô. E esse machista dos bons costumes fazia até, em seus áureos dias, o que lhe parecia muito gostoso sexo homossexual. 

E não ficou um carola (cafona sempre foi) porque tenha se arrependido de seu antigo ganha-pão pornográfico & se convertido a algum modo de se penitenciar, adotando também uma discrição humilde & devota, como fazem tantas mini-celebridades como ele. 

Não: faz porque, carreira encerrada com a idade, encontrou no ódio um aliado que antes encontrara no amor.

O ódio hoje se tornou o combustível do país. 

Alguns me perguntam: por quê?

Quem deu o Golpe irá até as mais horripilantes crueldades porque, em primeiro lugar, tem de atender à demanda de horror que pediu sua existência (o menos de 1% mais rico deste mundo); segundo, porque se parar vai ter de encarar o desastre que gerou. 

Sociopatas não páram, assim como animais que provaram do sangue continuam matando. E a hora é dos piores sociopatas, a onda é deles. Aproveitaram, naturalmente, para derrubar o que houver de cultura ainda incomodando a burrice geral.

Quer vomitar? Eu tenho o vídeo perfeito para isso. Um vídeo mostrando a SS em ação:


"Dei sorte de ser rico. Você não deu, o problema é teu!"

Agora só vão parar com o banho de sangue encomendado & que será entregue no momento oportuno (&, acrescento, a essa altura já não deve demorar muito).

E será o sangue sacrificial, novamente, que fará com que as pessoas acordem da hipnose &, como eu já disse & volto a dizer, dirão como fora do transe: "como chegamos a isso?"

No fundo, todos sabem como chegamos a isso. Mas no pós-horror não se achará 1 alma que assuma ter feito parte desse horror. 

Portanto, podem esperar mais carolice, mais cafonice, mais acusações inacreditavelmente pudicas, coisa do tempo do onça, & tudo se passando como se ainda não houvesse nem acontecido a já vetusta década de 1960. 

Escrevi, faz alguns meses, "Nova Era Fascista". Realmente não estava brincando, embora concorde que às vezes fica difícil diferenciar uma coisa da outra.



PS: em tempo, poema muy oportuno de Ricardo Aleixo na Modo de Usar. Aqui:


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

CUI BONO? (com divertidos exemplos da carochinha)

Décimo-nono mês,
Ano II do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer




É tarde, estou cansado & este pobre blog não quer mais insistir, já que, é óbvio, o controle sobre a vontade se tornou algo em prática comum & profunda ao menos depois de, como sabia Philip K. Dick, os nazistas ganharem a Segunda Guerra Mundial.

Mas façamos um pequeno digesto antes de abraçar Morfeu.

Poderia simplesmente aludir àquele gracioso filme de 2009 no título desta postagem, & tudo estaria explicado de um modo muito lateral, esquivo, metido à besta: diria Zombieland &, quem quisesse, que entendesse.

(Seria também uma homenagem disfarçada a meu cineasta favorito, Stanley Kubrick, que tentou dizer as coisas justamente assim, alusivo, alegórico, & as disse. O custo, para ele, foi alto. Altíssimo, se vamos avaliar bem a situação, mesmo com poucas pessoas efetivamente percebendo seus truques de mágico macabro).

O grande pesadelo, como todos sabem, é estar acordado enquanto todos dormem. 

Um homem certa vez foi acordado por um misterioso ruído nos ouvidos, que aparentemente não vinha de fonte externa alguma. Ergueu-se, & o mundo que viu não se parecia em nada com aquele em que acordava todos os dias para o trabalho, para retornar a casa, se distrair um pouco, comer, dormir & tudo de novo amanhã.

Os outros dormiam, desta vez, o mesmo sono em que sonhara viver seu pequeno pesadelo cotidiano de apáticas obediência & rotina, mas mil vezes mais desejável do que o que tinha diante dos olhos agora. 

De olhos bem abertos: via claramente.

O terror de uma distopia de ficção científica ou de um experimento literário mais ou menos psicosociológico é nosso velho conhecido, se tornou cinema & foi parar na Netflix também sob o nome perfeitamente sugestivo de Black Mirror.

O real, como costumo dizer, se tornou até nome de dinheiro, que é a coisa menos real que há.

Informações não importam, porque são conflituosas & interpretações sempre diferem - & eis aí o sabor da invenção, & da fertilidade infinita da mente. 

Um ponto deveria, no entanto, ser muito elementar & de usufruto do bom-senso: aquilo que um dia o advogado nascido em Arpino, de nome Cícero, lembrou de um outro orador ter arguído como pista lógica inequívoca: cui bono? ou cui prodest?

"A quem beneficia?"

Aquele que fizer precisamente essa pergunta, & tiver a inteligência, a curiosidade & a coragem de seguir para a resposta evidente a ela despertará como o triste infeliz lembrado alguns parágrafos atrás, para sua inteira perplexidade. 

Poderá viver no mundo de antes? Dificilmente. Não estará mais no Kansas, acordará da Matrix, terá posto os óculos escuros de João Nada.

Será como os antigos filósofos & arquitetos que, uma vez tendo contemplado a constituição numérica oculta que constrói o mundo, já não podiam mais ignorar a estrutura implícita em tudo.

O plano é um horror, a ingenuidade quer a harmonia. 

Mas, como disse o bêbado F'rnándo P'ssôa uma vez, é mesmo um horror, mas é melhor ter consciência. E o caolho, C'mõesh, contou da abertura da máquina do mundo, aquela que um itabirano magro, funcionário público & cansado rejeitou de mãos pensas.

A máquina, & sua ansiedade sobre o mundo hipnotizado.

Fechamos os parênteses, encerramos os contos misteriosos & arrumamos a cama.

Good night. And good luck.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

FOLHA: UM JORNAL A SERVIÇO DO GOLPE

Décimo-nono mês,
Ano II do Golpe de Estado: ditadura de MiSheLL Temer





Se ainda restava qualquer dúvida de que a Folha de São Paulo está roída de dentro por ratos, hoje essa dúvida desapareceu: ao pôr em letras garrafais na manchete que "maioria quer Lula preso" ela deixa integralmente de fazer jornalismo para se tornar parte enfática da máquina fascista.

"Querer" Lula preso não tem nada a ver com um processo que deveria ser isento & jurídico, & que, como sabemos, não é nenhuma das duas coisas desde o começo, via juiz inimigo, com o qual voltamos à Idade Média. 

Se um jornal já perdeu até mesmo a vergonha de passar por cima do Estado de Direito para entrar na máquina de propaganda golpista, é porque estamos realmente enfiados até as orelhas numa ditadura.

Sabe-se que a ditadura militar teve o aval entusiasmado da Folha de São Paulo. O Golpe de 2016 também. A prisão de Lula, sem provas, sem verdadeiro processo jurídico, também terá. 

São dias muito escuros, os nossos, & históricos. 

Lula será preso, não restam mais dúvidas. O que se fez no passado com outros grandes líderes populares será o seu destino igualmente, & ainda outra lição para quem quiser adiante desafiar os antigos privilégios, como quando Lula discursou, eleito, que "500 anos acabam aqui". 

Ingenuidade dele: levou pouco mais de um ano de ditadura para Temer nos devolver quase às portas da escravidão. Dois meses para nos devolver aos anos 30. Bem pouco para deixar o Brasil de joelhos internacionalmente.

Conquistas são delicadas. Canalhice é simples & imediata.

Os verdadeiros corruptos, contra quem a abundância de provas chega a ser um completo escândalo de malas repletas de dinheiro, de helicópteros repletos de cocaína, de decisões repletas de entreguismo & covardia, esses continuarão no Senado, na Câmara, nos ministérios, na faixa presidencial, no mais alto lugar da Justiça (apenas de fachada) do Brasil.

Estamos assistindo, desde 2015, a um novo 1964. A maior parte dos brasileiros, inclusive influentes, segue calada ou golpista. 

Dizem que o brasileiro não tem memória. 

Ao menos um deles tem, está bem aqui & não vai esquecer o que viu exemplarmente. O futuro aguarda a todos, & a História não tem remédio.