sexta-feira, 23 de setembro de 2011

TRANSFUSÃO na CASA GUILHERME DE ALMEIDA




O evento Transfusão, I Encontro de Tradutores na Casa Guilherme de Almeida (acima) acontecerá entre os dias 30 de setembro e 3 de outubro reunindo tradutores de literatura em palestras e leituras e performances. Transfusão, como sabeis, vai de um corpo para outro, pretende dar vida, etc.

Lerei, no dia 30, quando lêem também André Vallias, Nelson Ascher, Álvaro Faleiros, Claudio Daniel e Simone Homem de Mello.

É o dia da abertura, com o diretor da Poiesis, o diretor da Casa Guilherme de Almeida, e logo después há D. Afonso Correia e Érico Nogueira falando do velho Jerônimo tradutor, aquele camarada que sempre vemos nas pinturas com uma longa barba branca, acompanhado de um simpático leão, e em meio a regiões desérticas ou curiosamente depenadas.

A propósito, estava para dar aos quatro ventos a queixa de meu caro Érico Nogueira contra umas barbaridades cometidas na nova edição das traduções homéricas de Carlos Alberto Nunes quando fiquei sabendo que, ao que parece, a coisa já está resolvida.

Mal dá para acreditar na velocidade. Portanto, confiram o feito no Ars Poetica, blog de Nogueira:


E Transfusão, como vocês vêem acima, continua e terá Augusto de Campos, João Angelo Oliva Neto e uma porção de outros. Confiram.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

LUSTRA, de EZRA POUND (enfim)

Minha tradução de Lustra, de Ezra Pound, pelo selo Demônio Negro, da editora Annablume.

Precisava escrever outras coisas aqui, após tanto tempo, mas o que segue se impõe agora: o livro acima, pronto, finalmente chegou às livrarias & está disponível para compra no site da editora Annablume.

Trata-se da minha tradução para o português, em versos, do livro de poemas Lustra (1916), de Ezra Pound. É a primeira completa em língua portuguesa, que eu saiba.

Escrevo também uma introdução para esclarecer o lugar desse volume na obra do poeta (no período em q surge, também) & escrevi notas aos poemas para aproximar o leitor que não percorreu a vasta literatura que Pound emprega em suas referências, citações, colagens, personae, etc.


É a edição mais completa de Lustra em qqer lugar do mundo.


E o livro significa o passo decisivo de Pound dentro do modernismo inglês, europeu & estadunidense. Formalmente variadíssimo que, indo do epigrama latino (e do verso livre & conversacional, baseado nos valores da prosa em verso), passando por textos de influência chinesa, chega também a poemas cuidadosamente sonoros, e personae maduras de poesia provençal, marcando assim um modo peculiar & muito influente de se compreender, poeticamente, parte da percepção então chamada moderna.


Traz o design gráfico absolutamente notável de Vanderley Mendonça, que já publicou na excelente coleção do selo Demônio Negro (meu primo, por sinal) livros de Joan Brossa, Sousândrade, Octavio Paz, entre outros. Em capa dura, recoberta de tecido, recupera com sutileza aspectos das edições inglesas históricas dos livros de Pound.

Agora tenho apenas de raspar a informação ao lado que diz que a tradução de Lustra permanece inédita. Não mais. E vem em texto bilíngüe & em um belíssimo volume, graças ao meu caro Vanderley.



Gaudete.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ADENDO À HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA

Painel com vitral no meio, ambos de Enio Squeff, para os 450 anos de São Paulo. Feito para o SESC Itaquera até o SESC Itaquera decidir desmontar tudo.



Enio, caríssimo,

soube da estupidez que fizeram à sua obra. Não vou dizer que estou especialmente surpreso, porque não me lembro do Brasil ter cuidado com obras de arte ao ar livre (curiosa palavra, no contexto). Não cuida sequer da arte que tem o gesto curioso de enfiar em um museu, ou em bibliotecas.

O gesto particularmente troglodita de sumir com a obra, e obra recente, e planejada precisamente para aquele espaço, de fato cria uma nova definição para a estupidez humana em geral, e para a brasileira em particular.

Nem vou fazer a piada (porque seria piada) de que poderiam ao menos ter te avisado. Teria sido uma fineza de psicopata, que é coisa sobretudo inútil e potencialmente assustadora: "Enio, estamos te ligando pra avisar que vamos sumir com a sua obra imensa ao ar livre. Não, não somos bandidos, somos os caras que comissionaram a obra, mesmo".

Não sei: talvez seja um consolo imaginar que a supressão da obra será outro dia na história universal da infâmia, a partir do qual as pessoas se alarmem e pensem que algo está muito errado, que alguma coisa está realmente do avesso numa sociedade em que esse tipo muito regressivo de imbecilidade é possível.

Talvez eu argumente muito por causa do meu esforço de compreender o que vai (se algo vai) na mente nebulosa & rude que chega a uma decisão dessas, porque você sabe o quanto aprecio sua arte notável, e sabe o quanto julgo que a subestimam. Ela é um tesouro nacional, como a de outros artistas, & o país, hélas! não sabe disso. O país é sempre o último a saber.

Não iam mexer com você se você fosse a Lady Gaga, obviamente, porque um time de no mínimo 15 advogados tubarões acabava com a raça deles antes que pudessem cogitar a hipótese de pedir genuflexórias desculpas.

Não posso ir vê-lo para dizer isso tudo em pessoa, que estou em Londres, então digo aqui: fique forte, fique bem, meu amigo. Décadas atrás, aqui, quebravam as esculturas do Jacob Epstein. Sir Jacob Epstein. Ainda haverá justiça. Como você disse ironicamente no fim de uma entrevista que fiz com você há alguns anos: "Hei de vencer". Vencerá, sim.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Tarda, mas não falha (ou a chamada “justiça poética”)

Leonardo Fróes, em foto de Regina Lustosa


Um de meus poetas brasileiros favoritos é Leonardo Fróes. Eu & Ricardo Lima o entrevistamos para a Germina Literatura, no começo de 2006, & foi uma oportunidade que agradecerei sempre a Lucia & Ana Carolina Azibeiro, além de Silvana Guimarães & Mariza Lourenço, do site. Abaixo, a entrevista & links para poemas:

http://www.germinaliteratura.com.br/literatura_esp_froes14.htm


No mesmo número, e espelhando publicação anterior (2003) na revista Azougue, entrevista de Fróes para Alberto Pucheu, Ricardo Lima & Sérgio Cohn:

http://www.germinaliteratura.com.br/literatura_esp_froes6.htm

Mas essa é apenas uma lembrança, ocasionada pelo ótimo artigo de Ricardo Domeneck em seu blog Rocirda Demencock (& também na Modo de Usar) sobre Fróes. O artigo é bastante completo & direto ao ponto. E pode se ler como parte de uma rica & complexa resposta ao ardoroso apocalipse que sempre se prega sobre a literatura brasileira.

E é artigo exemplar, que chama a atenção para esse grande poeta que vem aos poucos sendo redescoberto como uma das figuras mais importantes das últimas décadas. Ao menos, esse é o voto de Domeneck & o meu, poetas que vieram después & apreciam muito a obra de Fróes (não só, como sabeis: Alberto Pucheu, Sérgio Cohn, Fabrício Carpinejar, Ricardo Lima, entre outros, são da mesma opinião).


E mais: o simpático blog é daqueles que têm o bom senso de falar do poeta mostrando a obra, daí todo mundo pode ler por lá uma boa dose de poemas escolhidos.

Aqui:

http://ricardo-domeneck.blogspot.com/2011/05/apresentacao-da-poesia-de-leonardo.html

Ou aqui:

http://revistamododeusar.blogspot.com/2011/04/leonardo-froes.html

Gaudete.

sábado, 16 de abril de 2011

A ORDEM CERTA (mais uma instigante conversa entre Asfódelo e Brônquio)




ASFÓDELO

Meu caro Brônquio, sabe que eu estava lendo, só por acaso, uma página da revista Variedades Variadas e você nem tem idéia do que eu vi: um novo poeta.

BRÔNQUIO

Novo poeta?


ASFÓDELO
Isso mesmo. Novo poeta.

BRÔNQUIO
Mas os poetas não eram todos velhos?

ASFÓDELO
Pra dizer a verdade, eu achava que não apenas eram velhos, mas mortos também.

BRÔNQUIO
Não é mesmo?

ASFÓDELO
É isso aí. Mas é um poeta novo.

BRÔNQUIO
Um poeta novo ou um novo poeta?

ASFÓDELO
Tem diferença?

BRÔNQUIO
Hahaha, meu querido Asfódelo, é claro que tem. Veja bem: um novo poeta é um que acaba de ser descoberto; um poeta novo é um poeta jovem, em idade.

ASFÓDELO
Ah, entendo. Bom, esse é jovem. Parece que recém-descoberto.

BRÔNQUIO
Recém-nascido também?

ASFÓDELO
Não sei, mas recém-descoberto, com certeza.

BRÔNQUIO
E o que escreve esse poeta novo?

ASFÓDELO
Versos.

BRÔNQUIO
Versos? Por São Jorge e o dragão! isso não havia acabado com a assinatura do Tratado de Tordesilhas? Não haviam traçado uma linha divisória, clara, inequívoca, à tinta?

ASFÓDELO
Parece até que ele rima, de vez em quando.

BRÔNQUIO
Você não está falando sério.

ASFÓDELO
Foi o que eu li, deixa ver se eu acho a página...

BRÔNQUIO
Não, seu idiota, depois você vai ter que lavar as mãos com álcool gel.

ASFÓDELO
Ops, tem razão.

BRÔNQUIO
Mas que coisa ultrajante.

ASFÓDELO
Muito, muito ultrajante. Eu me senti incrivelmente ultrajado. Eles ultrajam todo o mundo ultrajável, assim.

BRÔNQUIO
E quem está publicando isso?

ASFÓDELO
Ora, uma editora.

BRÔNQUIO
Eu sei que é uma editora, paspalho, quero saber qual. A gente pode organizar um arrastão nela.

ASFÓDELO
Putz, ótima idéia. Pensando bem, não lembro de nenhuma editora que publique poesia. Acho que ele publicou por conta própria.

BRÔNQUIO
Como assim, ele tem dinheiro?

ASFÓDELO
Talvez tenham dado algum pra ele.

BRÔNQUIO
Que besteira, quem daria dinheiro para um poeta? Todo mundo sabe que não deve dar dinheiro pros mendigos.

ASFÓDELO
Bom, eu não fui. Só dou dinheiro pra instituições de caridade reconhecidas.

BRÔNQUIO
De qualquer forma, é um escândalo. Eles deviam deportar essa gente.

ASFÓDELO
Parece que ele não mora mais no país. Vai ver que foi assim que ele conseguiu dinheiro: esses estrangeiros são tudo uns trouxa.

BRÔNQUIO
Maldito, então a gente devia pedir a extradição dele pra cá. Não tem uma lei contra esses tipos, não tem um acordo internacional de extradição?

ASFÓDELO
Isso, pedia extradição, julgava e condenava à morte.

BRÔNQUIO
Bem pensado: forca, pelotão de fuzilamento, cadeira elétrica ou câmara de gás?

ASFÓDELO
Acho que a gente podia simplesmente jogar esse tarado no rio Tietê. E olha que o cheiro quase me matou ontem na marginal. Dentro do carro. Com os vidros fechados.

BRÔNQUIO
Sublime! Eles adoram rios, vamos ver o que ele acha desse, hahahahahaha.

ASFÓDELO
Hehehehe hehe ah hahaha hehe.

BRÔNQUIO
Ha ha. Ah, essa foi muito boa.

ASFÓDELO
Ninguém agüenta, garanto que vai ficar Mortinho da Silva.

BRÔNQUIO
Exato. Essa é a ordem certa. Não vejo a hora. Adoro escrever um necrológio.

ASFÓDELO
Você tem o dom, querido Brônquio.

BRÔNQUIO
Mesmo? Obrigado. Vindo de você. Vou ler a obra completa dele. Vai ser um belo necrológio.

ASFÓDELO
Sem dúvida: já dou os meus parabéns antecipados pela obra-prima que você vai preparar.

BRÔNQUIO
Bebamos a isso.

ASFÓDELO
Saúde.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Engajamento, consternação & mais dinheiro para os ricos

Cena de Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, com Paulo Martins (Jardel Filho) em primeiro plano.



O (A) poeta engajado (a) é sempre um tipo dividido: ele (a) tem suas percepções, q são uma coisa sem direção definida de ação sobre o mundo, & força para canalizá-las a um objetivo, seja qual for.

Um poeta assim era, por exemplo, o Paulo Martins, personagem vivido por Jardel Filho em Terra em Transe (1967) de Glauber Rocha. Um emblema do conflito. Chegava a dizer os versos daquele q é provavelmente o melhor poema de Mário Faustino, a balada do “nobre pacto” a se firmar entre o cosmos sangrento e a alma pura, que resultava, enfim, em “tanta violência, mas tanta ternura”. E em suicídio, q o suicídio é uma divisão, todos sabemos.

Suicídio, aliás, q teria Maiakóvski como o arauto de más novas, o arauto do tipo de batalha invencível em q o poeta embarca querendo dirigir, com o poder da palavra, os tortos meios q a vida toma. O poeta não tem como, não dessa forma. Pound também se perdeu nessa batalha, chamou um dos inimigos de amigo. Os pés pelas mãos, nó difícil de desatar.

A questão volta, naturalmente, por causa do desastre catastrófico no Japão, dos desenvolvimentos da queda iminente de Kadaffi, o cruel, na Líbia, com a ajuda dos EUA & do resto da Sala da Justiça.

Ponho as duas coisas juntas porque contemporâneas, & pq pergunta q se faz, em discussões de poetas & escritores aqui na Inglaterra (& isso não deve ser muito diferente no resto do mundo), é: essas coisas deveriam passar despercebidas? O poeta não teria de dar voz a alguma coisa q desse conta disso? Alguns escreveram suas críticas políticas ou suas condolências humanitárias em verso, ou gravaram performances.

A resposta para as perguntas é, no entanto, convoluta & impopular.

A primeira parte dela deveria afirmar: “sim, os poetas registraram isso há pelo menos 10 anos atrás”, pq captaram algo no ar q sugere o q vemos hoje.

A segunda parte é: poetas & escritores não são jornalistas, & sua atividade é infinitamente mais contraditória. Ela não é, nem pretende ser (&, por tudo q é sagrado: não deve ser), um espelho dos fatos.

A terceira parte nos obriga a, como seres humanos, reconhecer q a evidência de algo dessas proporções não provoca o discurso (seja de q tipo for), mas silenciosa comoção & estupefação. Ou mesmo silencioso cinismo, q seja.

Isto é: a falta de medida convida, decorosamente, ao silêncio; assim como as armas & os varões já não inspiram nenhuma espécie de dignidade inflamada em cores pátrias. No caso da tragédia no Japão, não se trata do indizível: trata-se da consternação, da empatia pelo sofrimento alheio.

Sobretudo, deveríamos lembrar q o poeta & o escritor q resolvem aparecer nesses momentos de peculiar tragédia não são moralmente mais qualificados para dizer algo moralmente necessário ou sequer interessante. A literatura não dá a ninguém, automaticamente, um patamar moral q por si só mereça se ouvir. Os escritores, se bons, estão em outro nível de linguagem, mas isso não os qualifica para uma tomada de posição.

Truffaut, q sabia das armadilhas para os inocentes q são essas ocasiões de comoção, disse algo muito inteligente sobre o assunto. Perguntado, no meio da agitação de 1968, sobre pq não fazia filmes engajados, respondeu: “Sou o desengajamento personificado, porque tenho o espírito de contradição muito desenvolvido. ”

Poderíamos resumir a coisa toda na frase lapidar de Truffaut.

Os poetas & escritores de todo tipo se agitam todos, sempre loucos para falar, mas outro fato é q ninguém está nem aí pro q vão dizer. Eu voto por deixar Lady Gaga vender suas pulseiras filantrópicas, assunto suficiente entre os q desejam falar.

Mas não sejamos inocentes: os traços de tudo o q vemos estava já antes na arte, pq a política de um poeta ou de um artista, a única q presta & na qual ele não será um perfeito idiota é awareness: tenho certa dificuldade de traduzir essa palavra de modo a fazer com q a idéia de uma consciência ampliada, & uma percepção melhor das coisas, se sinta através dela.

É a política da poesia: não tomar um lado na luta, mas mostrar o q está em jogo, & de modo indireto, antipanfletário. O resto é ideologia.

Para se perceber basta q se abram os olhos. E os ouvidos. E os demais sentidos também ajudam, se estiverem por aí.

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Em tempo, & aproveitando q tocamos nos anos 60, lá em cima: Betanha ganha um milhão & uns trocados para fazer um blog & para ler poesia nele. O q aconteceu com a idéia & a câmera na mão?

Se soubesse q tinha esse rio de dinheiro sendo despejado em poesia eu obviamente jamais faria meu precioso blog assim de graça.

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Um momento: um informante da lei de incentivo, q não quis revelar o nome, acaba de me dar alguns detalhes sobre a coisa.

Parece q você inicialmente precisa ser realmente muito rico & famoso. E, enfim, tenha também uns 50 anos de carreira, ou esteja praticamente aposentado. Daí eles te dão essa montanha de dinheiro. E tem mais o seguinte: v tem de ser conhecido por ler poemas de um jeito bem piegas & sentimentalóide.

Tá pensando q é fácil? E tem gente q critica a pobre (com o perdão do adjetivo talvez mal colocado) Betanha: olha o q ela tem de fazer pra poder ter esse belíssimo blog de belíssimas poesias (românticos suspiros & reticências).

Ou carcará, como a gente sabe: pega, matá & come. Pelo jeito, pegô, matô & agora vai cumê.

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E isso nos devolve ao engajamento: desconfio sempre dos engajados, daqueles q, na juventude, faziam de tudo para parecer q estavam do lado certo.

Esse exagero é compensado, em alguns anos, por um comodismo q transforma aquela criatura rebelde em seu oposto. E daí ficam todos boquiabertos: “mas como aquela pessoa, aquele intelectual; oh, o q faremos agora?”

A explicação é muito simples: toda oposição é um espelhamento, & todo espelhamento, uma identidade.

O q não quer dizer: “aceite tudo, v não tem escolha”. A vida é mais complexa q isso: é estar atento, desconfiar, não aceitar argumentos fechados como pacote de opiniões, sejam de esquerda ou de direita. Avaliar cada coisa pelo q é.

Mas isso é difícil, & tem pouquíssimo apelo, pelo seguinte: como vão saber o q dizer de v assim, como espalhar seu nome pelo planeta? Não sabemos quem v é, o q v quer, se é mesmo confiável.

É isso aí, ninguém sabe. Pretty scary, isn’t it?

sexta-feira, 4 de março de 2011

aere perennius



carpas como fitas coloridas
deslizam sob o filme de prata do lago
pedra em volta, uma estátua
a palavra lacônica dos monumentos
dura na mente um momento
e se apaga como se escrita na água
movida sempre de carpas coloridas.